Alguém já disse que um bom trabalho de pesquisa nasce de uma
inquietação. Alguma motivação pessoal, nem sempre imediatamente identificável,
às vezes imperceptível, não raro uma vaga intuição de que alguma coisa não está
correta e merece ser mais explorada, examinada com mais detalhes. Mas ela está
lá, presente, e isso é o quanto basta para que, em algum momento, ela venha a
incomodar e pedir sua resolução. Para ser resolvida, essa inquietação precisa
ser investigada diretamente, examinada, compreendida e incluída no âmbito de
outras ideias e narrativas, e, eventualmente, se transformar em uma pergunta.
Quando essa questão é formulada, em geral se sai do âmbito do senso comum e das
respostas simples para se notar a dimensão mais ampla do problema – e então a
pergunta se desdobra em várias outras e a resposta não se deixa apreender em
qualquer formulação simples. É nesse momento que se configura a essência do
trabalho de pesquisa. O resultado dessas buscas está contemplado em cada um dos
textos de pesquisa presentes em Mídia e comunicação contemporânea: relatos
de pesquisa. É para ser lido com o tempo necessário, procurando observar
não apenas os resultados das pesquisas, mas também a integração dos saberes, as
buscas comuns, as trilhas individuais e as transformações de inquietações em
perguntas, das perguntas em novas perguntas que se encerram no âmbito não de
uma ausência de respostas, mas na certeza de que o conhecimento não se fecha –
a trama polifônica acrescenta continuamente novas vozes ao discurso.
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