Não apenas no cinema, não apenas na televisão, mas como um fundo sígnico
e cerne temático, a violência atravessa todas as formas de expressão,
identifica inúmeros ethos e revolve incontáveis pathos, imiscui-se em vastas
visões do mundo e inquieta, de uma ou outra forma, todas as almas receptoras.
Há uma tradição de intimidade entre as filosofias da acção e as práticas
artísticas, entre o acontecimento e a sua mediação estética ou jornalística. A
arte especula sobre o mundo, o agir e o devir, representa-os, apresenta-os,
reflecte-os, condiciona-os. Nesse processo bidireccional (poderíamos dizer
dialéctico, uma dialéctica entre factos e narrativas que parece nunca encontrar
termo ou clausura), a violência não é factor de importância menor; pelo
contrário, é paradoxo, questão, quase imposição e tentação.
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