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Estamos Em Uma "Casa" Nova

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domingo, 23 de outubro de 2016

Revista Página 22 Nº 104














Com a crescente adesão de países, a ratificação do Acordo de Paris está prestes a virar realidade. E, para cumprir as metas de redução de emissões de carbono, uma verdadeira revolução energética será necessária, com redução drástica no consumo de combustíveis fósseis. Embora o avanço das fontes renováveis seja notável no Brasil e no mundo, indicando que já estamos vivemos uma transição energética, o jogo conta com pesadas forças que atuam pela manutenção do business as usual. Como revelam a reportagem de capa e a coluna Olha Isso desta edição, o aumento das fontes mais limpas ainda se dá em escala muito baixa, a energia produzida no mundo tem parcela altíssima entre as fontes fósseis (87%), e até mesmo a energia nuclear vem sendo substituída por fontes sujas em lugar das renováveis. O Brasil pode se tornar um grande protagonista dessa transição. Mas parece acomodar-se na ideia de que sua matriz energética já é “limpa”, enquanto a realidade é distinta: o transporte de carga é majoritariamente movido a diesel, as termelétricas a óleo são acionadas sempre que há falta de chuvas, e têm sido crescentes os questionamentos sobre os impactos socioambientais e a vantagem econômica das usinas hidrelétricas.

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Revista Página 22 Nº 103
















Estamos na fronteira em diversos temas da sustentabilidade, mas sem resolver o básico: o esgoto. Bactérias super-resistentes na Baía de Guanabara, assustando velejadores profissionais às portas da Olimpíada; doenças causadas por exposição a esgoto e água imprópria; bairros insalubres, em que valas de rejeitos passam debaixo das casas. O retrato desolador do saneamento no Brasil começa a mobilizar a opinião pública e lança preocupações sobre as possibilidades do desenvolvimento sustentável no País. Contribuem para a paulatina tomada de consciência eventos como a crise hídrica de São Paulo, a tragédia que destruiu o Rio Doce em Minas Gerais e no Espírito Santo, o fracasso da despoluição da Baía de Guanabara e a disseminação de doenças ligadas ao mau uso da água, como a dengue e a zika. As populações mais afetadas por esses eventos são sempre as mais pobres e vulneráveis, sobretudo em um país desigual como o Brasil. Além de uma questão de saúde e economia, o saneamento está na base da segurança alimentar e hídrica.

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quarta-feira, 29 de junho de 2016

Revista Página 22 Nº 102














Entre as muitas teorias que buscam explicar o surgimento da linguagem, uma especialmente dignifica a espécie humana: falamos porque estamos profundamente interessados nos outros e porque temos a capacidade de pensar a partir de sua perspectiva. São os mesmos motivos que, pensando bem, guiam nosso campo de atuação. Procure o significado da palavra “sustentabilidade”, e encontrará a busca do bem-estar comum, levando em conta o ponto de vista não apenas das outras pessoas, mas até mesmo circunstâncias de outros tempos, como as das gerações que ainda vão nascer. Não por acaso, falar e agir devem andar juntos. Convidamos aqui a uma incursão pela linguagem e pelos caminhos por onde as palavras passaram. A começar da expressão “palavra”: uma das interpretações é a de que venha de palatum, particípio do verbo latino palor, que significa errância, caminhar sem rumo. Por não estar escrita em pedra, essa dinâmica errante da oralidade é que dá vida à língua. É a oralidade que dá vida às palavras e ao conhecimento que representam. Essa dinâmica, por não estar escrita em pedra, é continuamente enriquecedora.

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terça-feira, 24 de maio de 2016

P22 On - Maio 2016














Em abril, São Paulo registrou a menor e a maior temperatura histórica para o mês, além de uma seca fora do normal. Já estamos sentindo a mudança do clima na pele: ela se manifesta na maior ocorrência e intensidade de eventos extremos em todo o mundo. Mesmo que as emissões de carbono caiam, os efeitos da mudança do clima continuarão a causar uma série de transtornos –  e oportunidades também. Por isso, é preciso se adaptar a uma nova realidade.

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domingo, 17 de abril de 2016

Revista Página 22 Nº 101














Agricultores brasileiros querem mostrar que o campo está cheio de modernidade e inovação. Antes disso tentam se libertar de preconceitos seculares cristalizados na cultura brasileira. “Pobre Jeca-Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade!”, escreveu Monteiro Lobato em Urupês, seu livro de estreia. O personagem – que pinta uma imagem nada abonadora da população cabocla que, então, habitava a zona rural dos estados do Sudeste – fez tanto sucesso que o termo “jeca” se consagrou com um verbete próprio nos melhores dicionários da língua onde consta como um sinônimo pejorativo para caipira.

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Revista Página 22 Nº 100














No Brasil e no mundo tem ocorrido uma série de reações conservadoras contra os imigrantes, os refugiados de guerra, o Movimento Negro, o de mulheres, de indígenas, de gays, entre diversos outros grupos de minoria política. Mas o fato de que a intolerância virou uma das palavras correntes para descrever o estado do mundo pode indicar uma boa notícia: a de que esses movimentos estão crescendo e se empoderando, o que faz com que o status quo se sinta ameaçado. Ocorre que a revolução digital que vivemos trouxe elementos decisivos para o desenrolar dessa história. A organização social tem cada vez mais assumido formatos de rede, o que propicia a descentralização do poder e a ocupação de espaço pelas brechas. O mundo que já foi binário, polarizado, torna-se multifacetado, sacudindo o eixo de dominação historicamente ocupado pelo homem branco ocidental. Nesta edição em que Página22 publica o seu número 100, voltamos ao tema da diversidade para enfatizar o que já escrevemos em edições anteriores. “Onde tem vida, tem diversidade”, nos disse uma vez o educador Reinaldo Bulgarelli (leia na edição 32). Esse é o entendimento da revista na sua cobertura jornalística da sustentabilidade: a que cruza múltiplos olhares através das variadas dimensões – a econômica, a política, a cultural e a ambiental, profundamente entrelaçadas.

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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Revista Página 22 Nº 99














Ao publicar Small Is Beautiful – Economics as if people mattered, o economista alemão Ernst F. Schumacher não podia prever que essa coletânea de conferências e artigos produzidos entre as décadas de 1960 e 1970 se mantivesse tão atual até os dias de hoje. Traduzido no Brasil como O Negócio é Ser Pequeno, o livro contesta a “idolatria ao gigantismo”, defende que se leve a tecnologia de volta à escala humana e que a economia não deve visar o lucro pelo lucro, mas sim atividades que estejam de acordo com os valores considerados importantes pelas pessoas e sejam condizentes com os recursos naturais disponíveis. Schumacher argumentava que “precisamos aprender a pensar em termos de uma estrutura articulada que possa dar conta da multiplicidade de unidades de pequena escala”. Essas ideias pressupõem uma grande carga de inovação. Para fazer frente a um sistema econômico que se agigantou, dilapidou o capital natural além da conta e não foi capaz de distribuir de forma mais equânime as riquezas geradas, as inovações são cada vez mais necessárias. Estas encontram terreno fértil especialmente nas iniciativas de micro e pequena escala, que por natureza operam de forma ágil e flexível, capazes de dar respostas dinâmicas para a realidade em que vivemos. As micros e pequenas empresas, operando de forma articulada com companhias de maior porte, ajudam a oxigenar a cadeia de valor, semeando boas ideias, que podem então ser replicadas e ganhar escala. Ou fazer com que elas próprias se tornem futuramente empresas de grande porte. Este Guia, lançado pelo FGVces por meio da Revista PÁGINA22, tem o propósito de estimular essa nova economia vislumbrada lá atrás: que leve em conta as pessoas, respeite os limites do ambiente e faça sentido para todos.

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Revista Página 22 Nº 84














O último verão não passou em branco e seus reflexos são e ainda serão vistos. A seca histórica que atingiu grande parte do Brasil acendeu a luz laranja em relação ao abastecimento de água da população, à produção de energia mais barata e limpa e à oferta destes dois insumos básicos ao desenvolvimento: água e energia. O fenômeno passa ao menos três recados. Primeiro, retrovisores nunca foram tão obsoletos. Basear-se em séries históricas para projetar o futuro não é mais recomendável, considerando um novíssimo elemento na equação que é a mudança climática em curso. Eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes deixam de ser um ponto fora da curva para se tornar tendência. A incerteza é o novo padrão. O segundo recado é que esse contexto exige urgentes ações de adaptação, assumidas desde o planejamento e a gestão de recursos como a água (mais em “Nó em pingo d’água“). Essas ações, que buscam reduzir os impactos da mudança do clima, precisam guiar as decisões dos governos, hoje tomadas por uma perspectiva de curto prazo influenciada pelo calendário eleitoral. E a terceira mensagem é que não há riqueza ambiental que passe incólume à mudança do clima associada ao problema da gestão. Isso põe em xeque a visão do Brasil como país pródigo em recursos. Com o mito da abundância caído por terra, é hora de fazer desse desconforto o impulso rumo a um trabalho árduo, mas recompensador: o de jogar a favor da natureza e de fazer a natureza jogar a favor da economia e das pessoas.

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P22 On - Out 2015














Os serviços ecossistêmicos representam o que há de mais belo e valioso na natureza. Só que visto por um viés econômico. Já se sabe que vivemos uma grave crise ambiental que põe em risco as atividades produtivas, o bem estar da sociedade e até mesmo a vida na Terra. Uma forma de lidar com essa crise é contar com os serviços que a natureza desenvolveu de maneira sofisticada durante milhões e milhões de anos.

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sábado, 25 de julho de 2015

Revista Página 22 Nº 85














Buscar o reequilíbrio com o ambiente e suas formas de vida é importante, porque isso se traduz em um cenário mais favorável e seguro para o desenvolvimento e a produção econômica, gerando benefícios para a sociedade. Certo? A afirmação, que parece correta e constitui a base do pensamento dominante da sustentabilidade, reflete a forte visão antropocêntrica que nós, humanos, ainda carregamos acerca da vida na Terra. Desde a chamada Idade da Razão, que iluminou o conhecimento científico e combateu com objetividade o obscurantismo religioso, o que ficou no lugar das sociedades teocêntricas do mundo ocidental foi o ser humano, precisamente no centro das atenções.René Descartes e outros pensadores modernos contribuíram para organizar o conhecimento em partes e separar sujeito de objeto, sendo o primeiro, o Homem, e o segundo, todo o resto. A natureza, segregada da cultura humana, ficou a serviço das pessoas.

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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Revista Página 22 Nº 97














O histórico posicionamento do Vaticano, por intermédio do papa Fracisco e sua encíclica Louvado Sejas representa mais que a preocupação com esta casa chamada Terra e as formas de vida que nela habitam. Simboliza, também, a necessidade de unir as mais diversas crenças, ideias, pensamentos e posições em torno de uma causa comum. A dimensão da crise ambiental e climática – que se soma à vertente social já abordada muitas vezes pela Igreja, sobretudo pelas suas alas mais progressistas – é tamanha que exige a superação de diferenças. Há, portanto, um espaço de intersecção e permeabilidade entre ateus e fiéis, seja com embasamento na razão, seja na espiritualidade. Mesmo porque há indícios de um maior respeito, por parte da ciência, a visões que englobam o conceito do sagrado, após séculos de cisão promovida pela Idade Moderna.

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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Revista Página 22 Nº 93














Poucos assuntos têm sido mais abordados que o da água. Página22, por exemplo, há tempos dedica edições inteiras ao tema. O que durante anos foi ventilado por especialistas como um problema crônico se tornou alvo de  intensa cobertura da grande mídia mais recentemente, quando o problema ganhou contornos de crise e mostrou os riscos agudos de um desabastecimento em larga escala em grandes regiões metropolitanas. Riscos que crescem agora, com o fim da estação chuvosa. Mas tanta informação e conhecimento acumulado sobre o assunto ficam em descompasso com ações efetivas de enfrentamento do problema. Em entrevista nesta edição, Fernando Reinach, que há anos acompanha de perto o sobe e desce do Cantareira, recorda-se de uma prática comum na contagem do volume armazenado: sempre que atingia um nível baixo na represa, mudava-se o “zero” para um ponto mais baixo ainda na escala, passando o recado de que o consumo está no azul, quando o “cheque especial” é que está sendo usado. A culpa seria somente do governante? Não. O entrevistado chama a responsabilidade para todos, lembrando que políticos que priorizam medidas preventivas e de longo prazo dificilmente são reeleitos. A crise da água simboliza bem o desafio da sustentabilidade, representado pela dificuldade que temos, especialmente no Brasil, de agir pensando nas necessidades futuras, de colocar o planejamento no topo da lista e de adotar uma visão sistêmica. Este seria mais um aprendizado que vem pela dor, o que o senador Cristovam Buarque chama de pedagogia da catástrofe.

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sábado, 27 de junho de 2015

Revista Página 22 Nº 94














O ano de 2015 tem sido desafiador também para a agenda global da sustentabilidade. Os próximos meses são de preparação para uma das mais decisivas Conferências das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, a COP 21, a realizar-se em dezembro.  Além disso, o ano marca um novo período que deverá endereçar novas e ambiciosas metas, os ODS, ou Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que constituem a chamada agenda pós-2015. As questões relativas a água, clima, mobilidade, bem-estar, justiça social, entre tantas outras, indicam que estamos perdendo batalhas e precisamos ganhar velocidade e eficiência na busca de soluções.

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terça-feira, 9 de junho de 2015

Revista Página 22 Nº 96














Não vamos falar de escassez; é a abundância que rege o assunto desta edição. Uma economia irrigada por conhecimento, informação, criatividade e tempo livre capaz de transformar continuamente a matéria, tal qual a natureza faz. Como é dito na Entrevista, os recursos podem ser escassos, mas a capacidade transformação é infinita. O tempo em que uma furadeira está parada é muito superior ao que está em operação, gerando oportunidades na ociosidade – basta conectar pessoas e seus interesses e extrapolar esse exemplo emblemático para uma economia inteira. A economia colaborativa, dinamizada de forma inédita pelo advento da internet, trabalha com a fartura, e esta não é única premissa do capitalismo industrial que vem derrubar. Essa sociedade emergente,  que muitos chamam de pós-capitalista, suplanta a posse de bens e também a ideia de que o homem não passa de um ser competitivo.

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sábado, 30 de maio de 2015

Revista Página 22 Nº 95














Que as grandes cidades brasileiras apartaram-se das pessoas não é novidade. A própria Página22 já produziu bastante conteúdo apontando o modo de vida pouco sustentável e os caminhos  a serem seguidos no resgate do bem-estar. Em edições anteriores, ao debater modelos de desenvolvimento urbano, exploramos a questão da mobilidade, o uso de tecnologia e do arteativismo, a conciliação entre ambiente urbano e natureza, e a articulação entre pessoas na busca de cidades melhores para viver – e para conviver. O que motiva mais uma edição sobre o tema é um fenômeno relativamente recente: a profusão de coletivos e redes que promovem movimentos de intervenção e ocupação do espaço público. Protagonizados por uma nova geração de ativistas, esses movimentos têm ganhado massa crítica e colocam novos elementos de governança na praça – literalmente -, fazendo com que o cidadão participe de forma mais ativa das mudanças que deseja. Hoje não temos pressões apenas por necessidades básicas, como moradia, creches, escolas, transporte, água, saneamento. Essa pauta tradicional é acrescida de novos desejos, como a busca de afeto, acolhimento, encontro, interação, ambiente saudável, respeito. Essas demandas surgem em especial de uma juventude altamente interconectada, querendo para as cidades brasileiras a vida de qualidade que vê em outros lugares do mundo. Isso agrega aos movimentos sociais uma característica mais cosmopolita, que tende a aumentar a importância desse fenômeno que está só começando.

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Revista Página 22 Nº 91













Há 30 anos, na madrugada de 3 de dezembro, 45 toneladas de gases tóxicos vazaram de uma fábrica da empresa americana de pesticidas Union Carbide, na cidade de Bhopal, na Índia, matando cerca de 30 mil pessoas e ferindo outras 500 mil. Há pouco mais de 50 anos, a obra Primavera Silenciosa, escrita pela bióloga Rachel Carson, expôs os danos ambientais do uso indiscriminado de pesticidas, em especial o DDT.

Esses são alguns dos fatos que estão no nascedouro do ambientalismo no mundo. O nascimento de crianças sem cérebro em Cubatão, na década de 1980, é um marco que turbinou o movimento no Brasil. Sem deixar de reconhecer os enormes benefícios que a química trouxe para a humanidade, uma série de substâncias usadas empregadas em tudo o que consumimos – da comida ao ar, da roupa aos produtos domésticos e utensílios eletrônicos – é alvo de questionamentos até os dias de hoje, sobre sua segurança e impactos na saúde humana e no meio ambiente. Mas a indústria química que é tantas vezes associada a danos tem protagonizado inovações rumo a um “esverdeamento”, com o uso de processos e elementos amigáveis e renováveis. Há uma conscientização crescente de que precisa aproximar-se cada vez mais de processos biológicos e das suas origens naturais, seja para evitar perdas reputacionais, seja para aproveitar oportunidades de mercado. A alquimia desejava transmutar materiais em ouro, o que foi interpretado como a busca da sabedoria. Na era contemporânea, a química que estiver a serviço do bem-estar, em respeito à vida, é ouro puro.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Revista Página 22 Nº 86
















O Brasil de Copas atrás enfeitava ruas, carros e se entregava deliberadamente para a festa, manifestando a grande capacidade de celebração que nos é característica. Desta vez, em que o País é anfitrião, um descontentamento generalizado ganha espaço. Os gastos com o evento provocaram a expressão de demandas ditas difusas, mas todas envolvendo um anseio: acesso a direitos e oportunidades para uma vida de mais qualidade. A sensação é de que não há circo que aplaque essa irritação. Amadurecemos? A insatisfação que tem levado aos mais variados protestos e reivindicações representa a política em seu estado mais puro, o da ocupação da ágora. Embora o Brasil pareça avançar nesse ponto e também seja reconhecido internacionalmente pelos mecanismos de democracia participativa, há uma questão anterior mal resolvida: a da formação política, um dos pilares da democracia. A grande massa populacional, segundo pesquisa, mostra-se rudimentar em matéria de educação para a cidadania. Esse aprendizado pode e deve ser estimulado em canais formais como escolas, instituições e meios de comunicação, e não formais, como movimentos organizados.

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sábado, 1 de novembro de 2014

Revista Página 22 Nº 90
















“Ameaça multiplicadora” é como o Pentágono qualifica a mudança climática, no recém-lançado relatório 2014 Climate Change – Adaptation Roadmap. O Departamento de Defesa da nação mais poderosa do mundo entende que os efeitos do aquecimento global exacerbam os desafios com os quais tem de lidar, do controle da epidemia do Ebola até as ações terroristas do Estado Islâmico. Para o Pentágono, o desequilíbrio climático tende a intensificar a seca, a fome e a pobreza, gerando mais instabilidade e conflitos. No Brasil, tem ficado mais clara a conexão entre a falta d’água sem precedentes e o desmatamento florestal. Espera-se que constatações desse peso pressionem a assinatura de um acordo global em 2015, na Conferência das Partes em Paris, cuja costura se inicia na COP deste ano, em dezembro, em Lima. O comprometimento com metas ambiciosas de redução de emissões – sucedendo o Protocolo de Kyoto – é a chance que o mundo tem para se desviar da rota que o conduz a um futuro bem pouco promissor. Para se ter ideia do esforço necessário para atingir o menos pessimista dos cenários traçados pelos cientistas, o sistema global de energia terá de se tornar praticamente carbono-zero até o fim deste século.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Revista Página 22 Nº 88














A obra que fez do tema da desigualdade um best-seller finalmente chega ao Brasil em português: O Capital no Século XXI, do professor da Escola de Economia de Paris, Thomas Piketty, será lançado em novembro pela Editora Intrínseca, neste que é um dos países campeões da disparidade socioeconômica. Mas o que dizer das demais desigualdades, como as que se referem ao uso do espaço ecológico e dos serviços prestados pela natureza? PÁGINA22 joga luz sobre essa questão ao tratar das externalidades que, em poucas palavras, são a “socialização” dos impactos negativos ou positivos gerados por determinada atividade. Em geral, são os mais pobres os mais vulneráveis às externalidades socioambientais negativas, reforçando a desigualdade. Incorporar o preço desses impactos nos produtos é uma forma de desestimular a velha economia e incentivar a economia verde e inclusiva, levando, assim, a uma maior equidade ao longo do tempo. A desigualdade ecológica é um tema recorrente na história de 8 anos da revista, aniversariante deste mês de setembro, juntamente com o GVces, que completa 11 anos. Aproveitamos esta edição comemorativa para lançar uma série na revista, a seção Brasil Adentro, assinada pelo jornalista Sérgio Adeodato, que mostrará a realidade do País de uma forma mais descentralizada, fora da órbita dos eixos urbanos que concentram as decisões de poder.
 

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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Revista Página 22 Nº 87
















Nos próximos meses, as eleições deverão esquentar os debates sobre investimentos em infraestrutura e os caminhos do crescimento do País, especialmente em temas sensíveis e estratégicos, como logística e oferta de energia e de água. A PÁGINA22 defende que esse debate seja feito à luz do desenvolvimento local: uma vez que determinados empreendimentos entraram na agenda nacional – alguns já estão em curso e outros estarão no futuro próximo –, é necessário buscar formas de minimizar impactos socioambientais negativos e maximizar os positivos, aproveitando a imensa oportunidade de levar saltos de qualidade às regiões nas quais as obras se dão. Para isso, não há caminho melhor senão o de buscar ações orquestradas entre os diversos atores – população local, governos, empresas, sociedade civil organizada–, vislumbrando o longo prazo. Que futuro se almeja para as populações e regiões impactadas? Qual sistema de governança é o mais indicado para que esse planejamento seja implementado? Como antecipar investimentos de modo a preparar a região para receber obras de grande porte? Como lidar com os impactos em lugares nos quais as obras já estão em andamento? Essas e outras questões são abordadas na Entrevista e em reportagens desta edição. Em face das múltiplas realidades brasileiras, escolhemos casos concretos em regiões (Sudeste, Norte e Nordeste) e cenários diferentes, desde o urbano (exploração do pré-sal na Baixada Santista) até o amazônico (complexo de obras na Bacia do Tapajós), passando pelo Sertão (Transposição do Rio Francisco).

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