O maracujá é uma planta
interessante, com uma história rica em lendas e com as relações com a
religiosidade que a tornaram um foco de interesse, tanto em termos de consumo
como em termos ornamentais. Mas ela tem ainda um outro ponto de interesse que a
torna uma espécie bandeira para uso sustentável e conservação ambiental. As
espécies de Passiflora são majoritariamente autoincompatíveis, isto é,
precisam de polinização cruzada para formar frutos. Isto implica que as
mamangavas, seus principais polinizadores, são vitais para a produção tanto dos
frutos silvestres quanto das variedades cultivadas. A falta destas abelhas
implica na baixa produção ou na necessidade dos produtores fazerem eles mesmos
os serviços de polinização, aumentando grandemente os custos de produção. E por
que estas abelhas faltariam? Porque elas dependem de outras plantas para sua
sobrevivência e dependem de madeira para sua nidificação. E onde elas encontram
tais recursos? Nas áreas naturais do entorno dos plantios. O problema é que
estas áreas naturais estão desaparecendo vertiginosamente e com elas as
mamangavas. Dessa maneira, o maracujá somente é produtivo, e mesmo viável
economicamente, quando o ambiente está minimamente conservado.
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