Em todas as vidas existe qualquer coisa de não vivido, do mesmo modo que
em toda a palavra há qualquer coisa que fica por exprimir. O carácter é
a obscura força que se assume como guardiã desta vida intocada: vela
atentamente por aquilo que nunca foi, e, sem que o queiras, inscreve no
teu rosto a marca disso. Por esta razão, a criança recém-nascida parece
já ter semelhanças com o adulto: de facto, não há nada de igual entre
esses dois rostos, a não ser num, como no outro, aquilo que não foi
vivido.
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