No início era o pictograma. Poderia iniciar-se desta forma uma História
da Comunicação Não Verbal. Desde que o Homem descobre a possibilidade de
estabelecer registos que o transcendam no tempo, (...) sobre os mais diversos
suportes, com as mais diversas formas e instrumentos, evoluindo no conteúdo,
abstractizando-se. Distanciando-se cada vez mais da forma primordial. Mas há um
e outro refluxo. E se o pictograma é reapropriado uma e outra vez pelas artes
plásticas, o fonograma, descendente distante, adquire uma dimensão estética
impensada pelos seus inventores. A letra deixa de ser unidimensional, de poder
expressar apenas um som, de estar submetida a um conjunto rígido de regras.
Pode tornar-se veículo de significados múltiplos, universalmente reconhecidos,
ou código secreto, cuja chave é exclusiva do seu autor. É neste intervalo, limitado
a um tempo de algumas décadas, que se fará este levantamento sobre a evolução
formal dos signos tipográficos.
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