O livro tenta compreender, por meio de uma abordagem histórica e
política, as contradições e os dilemas que enfrentam os trabalhadores da
área de saúde pública. Eles se formam geralmente em meio a modelos
biomédicos e individualistas, mas nesse segmento da medicina predomina
um candente discurso em defesa do trabalho em equipe e multidisciplinar.
Conforme diz o autor, mesmo esse discurso está impregnado de abordagens
com viés simplesmente organizativo ou tecnicista. Além disso, confunde o
processo de trabalho médico com o processo de trabalho em saúde. Em tal
contexto, saem do foco as necessidades sociais em saúde da população e
dos próprios trabalhadores e, ainda, a necessidade de se criar espaços
coletivos, onde as práticas das equipes possam ser compartilhadas,
debatidas e transformadas. O pesquisador discorre também sobre algumas políticas de saúde no
Brasil ao longo da história, enfatizando especialmente o período
pós-regime militar (1964-1985), em que os movimentos sociais, em
particular o da Reforma Sanitária Brasileira, tiveram papel central nas
mudanças empreendidas na área. Ele cita, por exemplo, a implantação do
Sistema Único de Saúde (SUS) e a Estratégia de Saúde da Família, modelo
adotado posteriormente e hoje priorizado nas políticas.
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