Há males que vêm para bem. A
precariedade das telecomunicações neste País continental retardou em muitas
décadas a viabilização de redes nacionais de rádio, como as que já existiam na
década de 1930 nos Estados Unidos. O resultado positivo disso foi que a criatividade
brasileira se desdobrou no desenvolvimento de múltiplas e vigorosas
experiências regionais, que reinventaram o uso desse meio de comunicação, com o sabor
das culturas de cada um dos Estados brasileiros. Nesse contexto, sem dúvida
nenhuma, o jeito mineiro de pensar e de fazer rádio está entre os que mais merecem
ser conhecidos e estudados pelo País afora: “o rádio de Minas desafia a
lógica das redes nacionais de reprodução de conteúdos padronizados”, diz um dos
textos deste livro. E, como observa outro, “se a história e a memória do rádio no
Brasil, com raríssimas exceções, são escritas pelo esquecimento e pelo abandono”,
esta obra coletiva, coordenada pela professora Nair Prata, vem preencher uma
importante lacuna nos estudos brasileiros de comunicação.
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