As exportações brasileiras se
expandiram vigorosamente nos anos 2000, tendo contribuído positivamente para o
crescimento do emprego. Porém, essa contribuição é relativamente pequena: o
número de empregos diretos associados às exportações corresponde a cerca de 5%
do emprego total da economia. Sua contribuição ao crescimento do emprego no
Brasil nos últimos anos foi bem inferior à do consumo das famílias e até do
investimento público. Quando se considera o emprego indireto associado às
exportações, esse volume dobra. O crescimento do volume de empregos associados
às exportações, de apenas 2%, não acompanhou o crescimento do emprego total,
que avançou de 18%, e ficou bem abaixo à expansão de 200% das exportações entre
2002 e 2008. Isso se deve a mudanças técnicas que implicaram em uma redução
significativa do conteúdo de emprego da produção e à evolução da composição das
exportações. Para o conjunto dos setores agrícola, extrativo e manufatureiro,
observa-se no período uma redução de cerca de 20% do conteúdo de emprego da
produção. Esse movimento atinge 9 dos 16 setores analisados, merecendo destaque
a redução da quantidade de trabalho por R$ produzido no setor agrícola.
Ademais, a redução foi mais acentuada no que se refere ao trabalho menos
qualificado, acompanhando a tendência generalizada na economia de aumento da
qualificação dos trabalhadores.
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