Pensar o legado desse período
de autoritarismo militar é tarefa que se impõe aos historiadores e também aos
cidadãos interessados no futuro do país. Há debates sobre as perdas econômicas,
acentuadas com a decolagem da inflação que marcou o fim do regime, e poucos
duvidam de que houve um retrocesso institucional; durante mais de duas décadas
a democracia regrediu. Os partidos não evoluíram, e a legislação eleitoral,
cada vez mais casuística, deixou marcas que ainda dificultam nossa evolução
política. Interrompeu-se a formação da elite política e, após a
redemocratização, o Brasil voltou a ser comandado por várias das figuras que o
golpe quis apagar. Os novos políticos que entraram em cena foram treinados por
um regime que desprezava a política e que pagava tributo apenas superficial à
democracia. A descrença na atividade política como um canal legítimo de
representação dos interesses da polpulação continuou após a redemocratização.
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