Esta dissertação discute aspectos teóricos e práticos que envolvem o
jornalismo produzido em emissoras de rádio no Brasil. A pesquisa verifica se,
mesmo diante de um cenário no qual se privilegiam pensamentos e práticas
jornalísticas logocêntricas, é possível agir além desse paradigma. Observa-se o
jornalista a partir de conceitos defendidos por Vilém Flusser, filósofo dos
media que enxergava o ser humano como sujeito permeado por uma cultura que
determina a sua comunicação e lhe impõe restrições. Entende-se o termo
“comunicação” a partir da perspectiva da Escola de Palo Alto: o ser humano
participa do processo comunicativo como numa orquestra na qual cada um
influencia a comunicação do outro. O corpus da dissertação é formado pela série
de reportagens Expedição Tietê Século XXI, veiculada pela Rede Eldorado de
Rádio, e por uma crônica do programete Conte sua história de São Paulo, da
Rádio CBN. As análises em torno do corpus são qualitativas e a revisão da
literatura foi construída a partir de autores que defendem um jornalismo que se
afaste do excesso de racionalidade por meio de narrativas entrelaçadas por
elementos míticos. Utilizase, também, o conceito de “cultura do ouvir”,
que considera possível a revalorização do sentido da audição como forma de
provocar vínculos mais fortes entre os ouvintes / interlocutores e o medium
rádio. Por fim, constata-se a ocorrência de experiências jornalísticas que,
mesmo não explorando muitas das potencialidades sonoro-narrativas do rádio,
indicam a presença positiva de focos de resistência no jornalismo radiofônico
atual.
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