Em busca
de um novo cinema português discorre acerca da gênese do referido movimento que
se tornou conhecido por tratar-se de uma transformação ampla no modo de ver e
fazer cinema em Portugal. Como se mostrou evidente, inúmeros debates acerca da
função social da arte nasceram das discussões em torno do impasse estabelecido
entre uma arte de viés modernista e outra, de feições neo-realistas. A dupla
vinculação do cinema com a literatura, em Portugal, faz-se não apenas através
de inúmeras adaptações literárias ao longo de todo o século XX, como também a
partir da atuação de escritores e poetas no interior do campo cinematográfico.
Argumentando através da atuação exatamente de alguns desses escritores, o
objetivo central e estruturante deste trabalho é re-discutir e apresentar a
“tetralogia do cinema neo-realista português” e re-pensar a gênese do novo
cinema. O novo cinema, como se afirma aqui, nasce da efervescência da vida
cultural portuguesa ao longo dos anos 1950, contrariando o ponto de vista
consensual, que percebe a mencionada década como os anos negros do cinema
português. A experiência do cineclubismo, a enorme difusão e veiculação das
revistas especializadas, bem como a atuação de Manuel Guimarães, Alves Redol e
Leão Penedo são o ponto de partida para o debate em torno das feições de um
novo cinema que se dá, sobretudo, ao longo dos anos 1950 e dos anos 1960. Para
tanto, o trabalho reveste-se de uma componente histórica que é imprescindível,
apesar do interesse maior estar contido na interpretação e, sobretudo, na
avaliação destes dados.
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