A educação brasileira passa por um momento importante de transição. Até os
anos de 1990, os problemas mais visíveis da educação do país eram as
dificuldades de acesso à escola, que afetavam sobretudo a população de menor
renda. Hoje, o acesso à educação fundamental é praticamente universal, e o
problema prioritário passa a ser a qualidade, que também afeta com mais força
os mais pobres. No passado, não havia muito mistério sobre o que fazer: criar
mais escolas, contratar mais professores, aumentar as verbas de custeio. Hoje
os problemas são muito mais complicados. Escolas, professores e dinheiro
continuam precisando ser aumentados, sobretudo no ensino médio, mas os
resultados escolares dependem menos dessas coisas do que de intangíveis como a
qualidade dos professores, os métodos de ensino, a qualidade dos livros
didáticos, a liderança dos diretores, a gerência e a autonomia das escolas. Os
problemas de qualidade são fortemente relacionados com os de equidade. Quando a escola é boa, ela consegue
compensar, em boa parte, as dificuldades que os alunos de famílias menos
educadas e com menos recursos costumam trazer. Quando os sistemas escolares são
bem organizados, eles colocam mais recursos humanos e materiais nas escolas em
áreas mais críticas. Quando, por sua vez, as escolas não são boas e os sistemas
escolares são mal administrados, as desigualdades de origem social se mantêm e
até se acentuam.
Nenhum comentário:
Postar um comentário