Este trabalho é fruto de
preocupações iniciadas no desempenho de atividades de psicóloga e no decorrer
de uma pesquisa que realizei anteriormente sobre a vida das crianças no
internato. Neste estudo se analisa o cotidiano da vida das crianças em sete
diferentes internatos abrangendo a faixa etária de recém-nascido a dezoito
anos. A análise feita levanta vários problemas e questões sobre a formação do
sujeito no caso de indivíduos que passam muitos anos de sua vida, inclusive
infância e adolescência, confinados em internatos, que têm seus mecanismos de
funcionamento à molde de instituição total (Goffman, 1974, p. 16). Este livro
apresenta os resultados de uma pesquisa que é na realidade um desdobramento
desse estudo anterior. Nela, entretanto, não mais pretendemos a análise de uma
instituição total, mas iniciar um estudo sobre seus impactos e efeitos para um conjunto
de indivíduos que, na condição de assistidos, são alvos da política oficial de
Bem-Estar. Optamos por levantar considerações sobre o quanto a instituição total
é definitória da representação do indivíduo na vida social. Levantamos a
hipótese de que seus efeitos são de natureza estrutural e não-contingentes.
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