Esta dissertação descreve e
analisa os verbos da língua juruna (yudja) a partir de suas estruturas
argumentais e consequências sintáticas. O objetivo é contribuir com um material
para a escola indígena juruna assim como contribuir com os estudos teóricos da
perspectiva gerativista de estudos sobre a linguagem. O texto é dividido em
duas grandes partes (descrição e análise) sendo a primeira delas uma descrição
de 302 verbos da língua. Nesta parte dividimos estes verbos em dezoito classes
verbais a partir de critérios morfológicos, sintáticos e semânticos. Estes
critérios foram estabelecidos a partir de características da língua, quais
sejam estas: duplicação verbal, propriedades semânticas, afixos, causativização
e propriedades das raízes - as quais associadas a verbalizadores formam os
verbos. Nesta seção apresentamos quais são as construções e operações
morfológicas que cada verbo descrito realiza (tais como: alternâncias de
valência (por afixação e via alternância labile), duplicação e supleção verbal)
e suas funções na língua. A segunda parte do texto denominada “análises”
apresenta uma análise gerativa para os fatos da língua juruna. Para a questão
da formação dos verbos, partimos da proposta de hale & keyser (1993; 2001)
segundo a qual os verbos são formados de forma estrutural e hierárquica a
partir de duas estruturas básicas (monádica e diádica) nucleadas por núcleos
verbais (v1 e v2). Estas estruturas são utilizadas de forma paramétrica a
partir de restrições das raízes verbais e seus traços sintáticos e semânticos.
Considerando esta proposta teórica, argumentamos que os verbos da língua juruna
são formados estruturalmente a partir de restrições dos traços que formam as
raízes verbais, os quais também serão determinantes nos processos de atribuição
e mudança de valência e voz assim como no processo de duplicação e supleção
verbal. Após a análise referente à formação dos verbos apresentamos a formação
de sentenças na língua juruna partindo do programa minimalista (chomsky 1995;
1998; 1999). Nesta seção apresentamos o processo de inserção de sujeitos (a
partir de formas pronominais, demonstrativos e sintagmas nominais) em vp,
discutimos os processos de concordância, analisamos a inserção de modo realis/
irrealis, bem como questões relacionadas a ordem sentencial, adjunção de
advérbios e o paralelismo entre os planos nominal e verbal, a partir das
questões associadas à cumulatividade e quantificação. O ponto central desta
dissertação é, portanto, argumentar que todas as propriedades sintáticas da
língua juruna decorrem essencialmente dos traços formadores de seus verbos.
Desta forma, para a compreensão da sintaxe de uma língua é necessário
compreender a estrutura argumental de seus verbos.
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