Os autores têm aqui o objetivo de analisar as tensões e entraves na
consolidação e operacionalização das atividades de ensino e aprendizagem
vivenciadas na interação entre estudantes de graduação da área de saúde
e os trabalhadores dos serviços de atenção primária da saúde.
Participantes e formuladores de programas de integração entre a
universidade e os serviços de saúde, eles fazem a análise levando em
conta que desde 2001 o governo federal vem formulando programas que
visam ampliar e qualificar a atenção primária à saúde e contribuir para a
fixação de profissionais da área em locais remotos e de maior
vulnerabilidade social. Em 2014, a reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais dos
Cursos de Medicina estabeleceu que o mínimo de 30% da carga horária
prevista para o internato médico da graduação será desenvolvido na
Atenção Básica e em Serviço de Urgência e Emergência do SUS. Com isso,
as instituições de ensino superior passaram a reorganizar seus
currículos, buscando expandir o ensino naqueles campos e vista favorecer
o contato dos alunos com a comunidade em que atuará. Segundo os autores, no entanto, a relação entre a universidade e os
serviços de saúde na realização de atividades de cunho pedagógico de
forma sistematizada tem provocado tensões. Os motivos são vários,
incluindo fatores como a escassez de recursos na comunidade,
infraestrutura inadequada das unidades básicas, alta rotatividade de
profissionais e a falta de compreensão de gestores sobre a necessidade
de educação permanente dos profissionais como forma essencial para
qualificação do serviço. O estudo se baseou em pesquisa qualitativa, realizada por meio de
entrevistas com profissionais de diferentes categorias profissionais e
de diferentes serviços da área de atenção primária à saúde do município
de Botucatu (SP) que atuam diretamente com os alunos.
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