João de Deus, Lucas Dantas, Manoel Faustino e Luis das Virgens foram os heróis e mártires da Revolta dos Búzios, ocorrida no dia 12 de agosto, há 211 anos, na capital baiana. Os quatro acima citados foram presos entre 12 e 25 de agosto de 1798 e enforcados na Praça da Piedade no dia 07 de novembro de 1799. A Revolta dos Búzios, também conhecida como Revolta dos Alfaiates,
Inconfidência/Conjuração Baiana ou Revolta das Argolinhas, é
classificada pelos historiadores como um importante movimento
emancipacionista de caráter popular. Baseados nos ideais da Revolução
Francesa de liberdade, igualdade e fraternidade, os revolucionários
pregavam a independência do Brasil, ideias republicanas e de direitos
iguais para todos os habitantes do país. Na Bahia Colonial viviam
milhões de africanos e seus descendentes, a maioria esmagadora, sem
quaisquer direitos humanos respeitados, sem direito a ir e vir
livremente, sem liberdade de expressão ou crença, sem direito de
reunir-se. O legado da Revolta dos Búzios, assim como de outras
revoltas organizadas e levadas adiante por africanos, negros livres,
forros e libertos é, indiscutivelmente, o da liberdade, ainda que na
diáspora forçada. A inspiração que nos deixaram é a coragem para lutar
mesmo que tudo esteja contra as nossas aspirações. Somos descendentes de
revolucionários e não temos o direito de nos esquecer disso. Vivemos
sobre um chão em que correu o sangue derramado em revoltas, que, sem
dúvida alguma, contribuíram para que o Brasil se libertas se de
Portugal. Em nosso país ser negro ou negra também é ter a consciência de
que muitos morreram para que se esteja vivo e livre.
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