
As Farpas, nome metafórico, dado com o
sentido e intenção de “espicaçar a sociedade”, foram edições mensais,
publicadas entre 1871 e 1882, numa revista fundada por Ramalho Ortigão e
Eça de Queirós, quando tinham, respetivamente, 35 e 26 anos. Foram iniciadas pelos no mesmo ano em
que se realizou as chamadas “Conferências do Casino”, em 1871, nas quais
um grupo de jovens escritores e intelectuais apresentaram o seu
manifesto com pretensões de revolucionar a literatura e a sociedade
cultural portuguesa da época, com base nas filosofias realistas e
naturalistas do escritor francês, Gustave Flaubert. Foi a censura
imposta, pelas autoridades, ás conferências, enquanto esta decorriam,
que motivou, em grande parte, o lançamento dessas publicações pelos dois
jovens escritores. Decerto inspiradas nas “Les Guêpes” (As
Ferroadas), do francês Alphonse Karr, As Farpas – sublinhadas com a
legenda “O País e a Sociedade Portuguesa” – constituem um painel
jornalístico da sociedade de Portugal nos finais do século XVIII, com
artigos altamente críticos e irónicos a satirizar, com muito humor à
mistura, múltiplos sectores da sociedade da época – da política á
religião, dos costumes e hábitos, à mentalidade vigente.
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