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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Ramalho Ortigão - As Farpas
















As Farpas, nome metafórico, dado com o sentido e intenção de “espicaçar a sociedade”, foram edições mensais, publicadas entre 1871 e 1882, numa revista fundada por Ramalho Ortigão e Eça de Queirós, quando tinham, respetivamente, 35 e 26 anos. Foram iniciadas pelos no mesmo ano em que se realizou as chamadas “Conferências do Casino”, em 1871, nas quais um grupo de jovens escritores e intelectuais apresentaram o seu manifesto com pretensões de revolucionar a literatura e a sociedade cultural portuguesa da época, com base nas filosofias realistas e naturalistas do escritor francês, Gustave Flaubert. Foi a censura imposta, pelas autoridades, ás conferências, enquanto esta decorriam, que motivou, em grande parte, o lançamento dessas publicações pelos dois jovens escritores. Decerto inspiradas nas “Les Guêpes” (As Ferroadas), do francês Alphonse Karr, As Farpas – sublinhadas com a legenda “O País e a Sociedade Portuguesa” – constituem um painel jornalístico da sociedade de Portugal nos finais do século XVIII, com artigos altamente críticos e irónicos a satirizar, com muito humor à mistura, múltiplos sectores da sociedade da época – da política á religião, dos costumes e hábitos, à mentalidade vigente.

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