Sou anarquista não porque acredite que num futuro milênio as condições sociais serão absolutamente perfeitas e não necessitarão de mais nenhum melhoramento. Isto não é possível até porque o homem não é perfeito e não pode criar nada absolutamente perfeito. Mas acredito, em troca, num processo constante de aperfeiçoamento que nunca finda e que só pode prosperar da melhor maneira sob as condições sociais de vida mais livres possíveis. A luta contra toda a tutela e todo o dogma, mesmo que se trate duma tutela institucional ou de ideias, é para mim o conteúdo essencial do socialismo libertário. A ideia mais livre corre o perigo de se converter em dogma, tornando-se assim inacessível a qualquer desenvolvimento interior. Logo que uma concepção se petrifica em dogma morto, começa o domínio da teologia. Toda a teologia se apoia na crença cega do imutável e do irredutível que é o fundamento do despotismo. Até onde isso chega, mostra-o hoje a Rússia que inclusivamente pretende orientar o homem de ciência, o poeta, o músico e os filósofos que devem pensar e criar, e tudo isso em nome de uma teologia de Estado onipotente, que exclui todo o pensamento individual e intenta introduzir, por todos os meios despóticos, a era do homem mecânico, do homem formado e dirigido ao sabor duma ideia sacrosanta.
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