Nem
sempre se lembra que a música e o folclore também foram influenciados pelo projeto
modernista que tomou conta de São Paulo em 1922. Mas a influência foi notável.
Um dos frutos mais duradouros dessa incursão foi a Discoteca Pública Municipal
de São Paulo, criada pela prefeitura em 1935 com a participação entusiasmada de
Mário de Andrade, que foi também o primeiro a chefiá-la. A instituição ainda
existe, agora com o nome Discoteca Oneyda Alvarenga, e exibe um imenso acervo
de mais de 70 mil discos e 60 mil partituras. No
livro A Discoteca Pública Municipal de São Paulo: um projeto modernista para a
música, Fernanda Nunes Moya analisa o papel desempenhado pela discoteca no
cenário cultural paulistano da época. E questiona se realmente houve, no âmbito
da instituição, o diálogo proposto por Mário de Andrade com a sociedade
paulistana, e avalia o quanto de fato a discoteca absorveu sua visão algo
folclorista da cultura e enfaticamente nacionalista em música. O livro ainda
tem como pano de fundo a cultura paulistana da segunda metade da década de
1930, reconstruída de forma fascinante pela autora. Aquele foi o momento de
entrada dos intelectuais modernistas na máquina burocrática do estado, quando a
cultura começou a ser institucionalizada e nasceram as primeiras indústrias
radiofônicas e fonográficas.
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