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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

João Arthur Ciciliato Franzolin - Uma Aposta Arriscada: O Jornal Meio-Dia E O Nazismo (1939-1942)














Como poderia ter existido no Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial, um jornal que propagandeava o regime nazista, uma vez que o país é formado por uma população miscigenada, distante dos princípios de pureza racial defendidos por Hitler? Que tipo de apoio o periódico teria prestado aos alemães? Que motivos levaram seu proprietário a aderir ao nazismo? Estas são algumas das questões que motivaram o historiador João Arthur Ciciliato Franzolin a pesquisar a trajetória do jornal Meio Dia, que circulou de 1939 a 1942, e seu cirador, o escritor Joaquim Inojosa. Inojosa foi figura conhecida nos meios literários por manter vínculos com alguns dos protagonistas da Semana de Arte Moderna de 1922 e por se tornar um divulgador do modernismo no Nordeste do Brasil, a começar por sua terra natal, Pernambuco. O Meio Dia surgiu no contexto do Estado Novo. Desde o seu início exaltou o regime e Getúlio Vargas e passou a receber dinheiro da agência de notícias alemã Transocean e da Embaixada da Alemanha, apoio que o levou a estampar propaganda e textos glorificadores do Terceiro Reich e suas conquistas na guerra. No entanto, após análise aprofundada, o autor identificou fases distintas na trajetória do periódico: em 1939, o jornal defendeu o pacifismo e os países democráticos; entre 1940 e 1941 aderiu entusiasmadamente ao nazismo; por fim, em 1942, passou a apoiar abertamente a declaração de guerra do Brasil ao Eixo, uma vez que enfrentava a ira da população carioca e o cerco do governo getulista. "É patente que a orientação política do jornal flutuou em função do momento, e que a opção pelos Aliados só se deu quando o periódico já definhava e não mais podia contar com o apoio dos alemães", escreve o autor. Após a Segunda Guerra, Inojosa procurou, brevemente, justificar a sua postura diante do jornal. No entanto, o periódico teria significado um peso para seu criador, que procurou maquiar a história em sua biografia. Franzolin conclui: "Os efeitos de sua aliança com os alemães, sentidos na sua trajetória posterior ao Meio-Dia, poderiam ser exemplificados por uma frase, atribuída a Goethe, publicada [no jornal] em setembro de 1941: 'Os fantasmas que chamei, não me posso livrar mais deles!'".

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