Como Alberti, cujo tratado
seguramente conhecia, Leonardo da Vinci afirma o principio de universalidade da
pintura contra toda especialização dos artistas. Essa afirmação dá ensejo a uma
diatribe contra os retratistas, motivada, ao que parece, por reagirem contra as
proposições de Alberti relativas aos “talentos particulares”. Leonardo reprova
aos pintores de retratos, de um lado, não mostrarem seus temas em ação, quando
a pintura do movimento é a condição e um dos meios da representação da história;
mas também, acusação mais séria, dedicarem-se tão exclusivamente à restituição
de um personagem, que negligenciam com isso todos os outros elementos que
constituem a história. Esse reproche pode se aplicar não apenas aos retratistas,
mas também aos artistas que pintam naturezas-mortas ou paisagens em verdade a
todos os que continuam sendo sobretudo pintores especializados, mesmo quando
empreendem uma pintura de história. Leonardo inaugura aqui um debate que se
prolongará até o século XVIII, ou mesmo o XIX, e culmina com Diderot: o que
envolve a questão de saber se o grande gênero pode e deve, a exemplo dos
gêneros menores, desenvolver a representação do real até a reprodução dos
mínimos detalhes, ou se a insistência nesses detalhes secundários traz o risco
de se afastar do essencial e diminuir o efeito do quadro.

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