“Enquanto o homem estiver armado, é um tirano e
um covarde. Enquanto não fizer a revolução social interior para a realização
profunda, ninguém tem o direito de encher a boca com as palavras “revolução
social” – porque só pode semear a verdade quem já fez a sua colheita. Quanto ao
mais, palavras lindas e lições aviltantes. Os homens e mulheres “de ideia”,
deixam muito a desejar. O pensamento, em absoluta dissonância com as ações. Só
quando o homem realizar um ser superior, tendo abandonado a violência aos
impotentes e aos degenerados, aos fracos e aos trogloditas, só então terá
direito de exigir dos outros o respeito á sua dignidade de ser humano. A
violência é estéril. Nada cria. É força desordenada, destruidora. Fere ao acaso
e gera a violência. Estéril? – Não! É a mãe do Ódio. Quando o homem souber
respeitar o outro homem, sem necessidade da policia ou das leis escritas;
quando desaparecer a violência e a autoridade, por imprestáveis, – porque o
homem não condenará mais a tirania com o objetivo do assalto ao poder, para se
aboletar, gostosamente, no trono do tirano… já não será necessária a revolução
social. Mas, enquanto os “escultores de montanhas” teimarem em obrigar os
homens todos a pensar segundo o seu pensamento, a crer no que eles creem,
inutilizando, massacrando os sonhos ou o pensamento dos outros – para assegurar
o predomínio das suas verdades – prendendo, exilando, fuzilando ou mutilando os
corpos e as consciências dos que pensam de maneira diversa: – as guerras e as
revoluções sociais, uma após outras, hão de ensanguentar a terra, inutilmente, perversamente,
degenerando, enlouquecendo a todo o gênero humano. Isso será até o suicídio
coletivo da humanidade, através da técnica moderna da ciência – a serviço do canibalismo
das verdades organizadas.”
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