Pesquisamos a política, o
estado e as classes sociais nas obras de Karl Marx (1818-83) sobre o
bonapartismo, tema que abordou quando tratou da história francesa de meados do
século XIX e que se manteve presente em suas reflexões por mais de duas
décadas. Centramo-nos na análise imanente das obras do pensador alemão
atinentes ao tema - As lutas de classes na França, 0 18 Brumário de Luís
Bonaparte e Guerra civil na França, artigos e correspondência -,
reproduzindo-as analiticamente, o que foi possível graças a uma pesquisa
bibliográfica histórica e temática. No mister de compreender a universalidade e
a especificidade do bonapartismo, percorremos um caminho que começa com a
exposição das principais anotações marxianas sobre a história da França e da
Alemanha, berços do fenômeno, e passa pela exposição da ontonegatividade da
política, que Marx já explicitara em suas primeiras obras marxistas (1843-44).
São questões que estão subjacentes às suas avaliações das Revoluções de 1848 na
França, que acompanhamos em detalhe, bem como, agora mais explicitamente, na
discussão que faz sobre o coup de tête de Luís Bonaparte e o governo
bonapartista. Aquelas questões assomam explícita, profunda e rigorosamente na
sua abordagem da Comuna de Paris, que aponta como a antítese direta do
bonapartismo e a respeito da qual faz das mais detalhadas discussões acerca do
estado burguês e da necessidade de sua derrocada, da ontonegatividade da
política e da auto-emancipação insurrecional da classe operária. Para dar conta
da riqueza da análise marxiana, vimo-nos obrigados a abordar a particular
estrutura de classes francesa, as divisões no interior das classes dominantes,
o fortalecimento do poder executivo em detrimento do legislativo, dos clubes e
associações, a súplica burguesa por um governo forte e a atuação essencial do
bonapartismo, em diversas frentes, no sentido de, por uma política externa
agressiva e outras medidas, atenuar as lutas de classes, assegurar
tranqüilidade ao burguês agora contra-revolucionário e promover o
desenvolvimento capitalista. Exploramos as principais categorias descobertas na
apreciação do ideário marxiano, tendo por centro o bonapartismo, mostrando sua
importância singular e sua amarração. Discorremos, por fim, sobre a forma como
o marxismo, depois de Marx, apreendeu, modificou, complementou ou rejeitou as
observações marxianas a respeito do bonapartismo. Também nos detemos sobre a
forma como a questão aparece - teórica e praticamente - na realidade brasileira.
Baixe o arquivo no formato PDF aqui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário