O caminho de Guermantes marca uma inflexão no caminho existencial do
herói de Proust. No primeiro volume de 'Em busca do tempo perdido' ('No
caminho de Swann') havia a imagem concreta de dois caminhos que se
ofereciam ao caminhante na cidadezinha de Combray - o da propriedade de
Charles Swann e outro, mais longo, o da propriedade dos Guermantes. Ele
escolhe o primeiro, e adentra o mundo do refinado colecionador de arte,
Swann, sua vida mundana, sua paixão e ciúme pela cortesã de luxo, Odette
de Crécy, sua influência nas leituras e interesses artísticos do herói.
Neste 'O caminho de Guermantes', a narração começa com uma mudança de
endereço em Paris, que coincide com uma aproximação espacial do palácio
urbano dos Guermantes, um dos grandes anseios adiados do herói. Ele que,
antes de aprender a falar, já ouvia uma velha canção evocando o nome
dos Guermantes, atravessa um longo período de vida, uma larga sucessão
de escolhas e uma grande cadeia de associações imagéticas até chegar a
esse novo lugar e poder, enfim, acompanhar os movimentos do duque e da
duquesa de Guermantes no dia-a-dia, preparando o contato direto com o
grand monde (o 'grande mundo') que freqüenta seu salão.

Nenhum comentário:
Postar um comentário