
Na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835, em Salvador, enquanto os
católicos comemoravam, na igreja do Bonfim, a festa de Nossa Senhora da
Guia, negros africanos celebravam o Ramadã em suas senzalas. A
celebração evoluiu para uma revolta, da qual não participaram
exclusivamente muçulmanos, mas que foi por eles concebida e liderada. O levante envolveu cerca de seiscentas pessoas, o equivalente a 20 mil
pessoas na Salvador de hoje. A revolta terminou com muitos feridos,
centenas de presos, além de mais de setenta rebeldes e dez de seus
adversários mortos. A maioria dos rebelados era de membros da nação
nagô, em cuja língua, o iorubá, muçulmano é imale. Daí malês, o vocábulo iorubá aportuguesado. Os objetivos dos rebelados não foram totalmente esclarecidos: queriam o
fim da escravidão dos africanos, mas não é certo que almejassem
extinguir a escravidão como sistema de trabalho na sociedade brasileira.
Há depoimentos que os acusam de terem planejado a escravização de
mulatos e o massacre de brancos e negros nascidos na Europa e no Brasil. O autor discute a religião, os escritos, a dieta, o vestuário e as
formas de organização dos malês. O livro analisa ainda o contexto
histórico da rebelião: expõe as estruturas sociais e econômicas da
época, a rebeldia dos homens livres, a série de revoltas escravas
acontecidas na Bahia desde o início do século XIX e a natureza
específica da escravidão urbana.
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