
Partindo do conceito de tragédia na Antiguidade Clássica e na
modernidade, a autora discute dois romances do escritor português Eça de
Queirós (1845-1900), A tragédia da Rua das Flores e Os Maias, tentando
neles não apenas identificar os elementos trágicos tradicionais - como
os presságios, as antinomias radicais, o desmesurado, o patético - como
avaliar a importância desses elementos no desenvolvimento narrativo das
obras. São romances bastante distintos. A tragédia da Rua das Flores é
uma obra inacabada, cuja edição ainda hoje é objeto de controvérsias. Já
Os Maias é o romance mais elaborado do autor, figurando entre as
maiores obras de ficção da língua portuguesa. Enquanto o primeiro é mais
simples e direto, com o enredo dando a entender desde o início o
desfecho trágico da história, n'Os Maias a tragédia não se realiza de
modo completo, revelando inclusive a impossibilidade de realização do
trágico na modernidade. Mas ambos os romances têm um ponto em comum,
além da visada trágica. São retratos implacáveis de Portugal da segunda
metade do século 19, que surge como um lugar decadente, sem energia, sem
sociedade civil estruturada ou cultura viva. Um país mergulhado em sua
própria tragédia, da qual os personagens não têm como escapar ou sequer
vivê-la plenamente.
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