
A expressão que serve de título – “Razão provisória” – é inspirada num texto de Hans Blumenberg que teremos ocasião de comentar neste livro. O próprio Blumenberg alude aí ao famoso passo cartesiano sobre a moral provisória. É que a retórica pode assim ser entendida como o que resta do que a evidente necessidade do saber científico não alcança. Quando as verdades evidentes faltam, resta a retórica para dizer a verossimilhança. E no entanto, também as ciências se dizem por palavras apesar da generalizada “retreat from the word” a que G. Steiner faz alusão. A mediação retórica dos saberes científicos constitui a tema central deste livro; isto é, o que de mais provisório se apresenta à construção de pura racionalidade por eles pretendida. “Ciência” e “Retórica”, no seu uso corrente, evocamnos conotações bem diferentes. O termo “retórica” remete-nos para uma conotação assaz negativa que tem a ver com um pathos (emocional) pouco propício à racionalidade de um discurso argumentado e que apresenta provas das suas asserções.
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