
Na investigação filosófica das últimas décadas o cepticismo tem sido alvo de um redobrado e crescente interesse, que tem incidido quer sobre a reavaliação dos temas e, sobretudo, problemas cépticos a ele atinentes, quer sobre a reapreciação dos autores e correntes de pensamento em cuja filosofia ele desempenha um papel determinante. Significativamente, esta revitalização tem sido feita do ponto de vista tanto da tradição filosófica anglo-saxónica como da continental, podendo mesmo vir a ser considerado uma das possíveis pontes entre as duas. Montaigne é um autor privilegiado para a partir, ou em torno, dele se investigar o cepticismo, em várias perspectivas. Em especial o é quando a investigação incide não apenas sobre questões teóricas, mormente as ligadas ao conhecimento, a que por tradição moderna mais se vincula a problemática céptica, mas, de igual maneira, sobre temas e problemas de ordem prática. O que é natural, porquanto, afinal, Montaigne se pode considerar haver, sobretudo, sido um filósofo político e moral. Todavia, o estatuto do cepticismo nos Ensaios não deixa de constituir matéria controversa, como controverso acaba por ser o papel desempenhado pelo Autor na tradição céptica, devendo-se encarar tanto a vertente que sobre ele pesa, como a que ele marca de forma indelével.
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