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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Gustavo De Moura Valença Motta - No Fio Da Navalha: Diagramas Da Arte Brasileira















O trabalho investiga o surgimento e as transformações operadas pela vanguarda artística brasileira da noção de "arte ambiental", formulada a partir de 1966 por Hélio Oiticica - como parte da organização de uma cultura de resistência frente ao contexto político-social brasileiro inaugurado pelo golpe militar de 1964. No texto "Programa Ambiental" (1966), Hélio reconfigurava a noção de "participação do espectador" que havia surgido dentro do movimento neoconcreto (1957-1961) em chave realista, mediante a noção de "ambientação", ligada à problemática político-social mais ampla. Central nesta concepção seria a categoria de objeto: um "sinal dentro do ambiente" e não mais como uma "obra de arte acabada", objeto da contemplação do público. O "objeto" seria entendido, a partir de então, como um ativador de ações - cabendo, pois, ao artista, como o construtor desse objeto, a função de propositor. No "Esquema Geral da Nova Objetividade" (1967), tais questões serão abordadas por Oiticica como parte de uma problemática coletiva da vanguarda artística brasileira - dentro da qual, segundo H.O., a obra Nota sobre a Morte Imprevista (1965) de Antonio Dias teria atuado como um "turning point decisivo". A pesquisa traça os pontos de inflexão e as diferentes formulações que o "programa ambiental" recebeu desde sua primeira formulação teórica em 1966 até a edição do álbum Trama (1977) de Antonio Dias. Assim, no primeiro capítulo, a pesquisa procura demonstrar como Nota sobre a Morte Imprevista de Antonio Dias e os Parangolés e Bólides de Oiticica articulam de modo problematizante o "ambiental" e a noção correlata de "participação do espectador". A seguir, o capítulo 2 descreve a rearticulação do "ambiental" nas proposições reunidas por Antonio Dias no Project-book - 10 plans for open projects, para o qual Oiticica formula teoricamente os conceitos de enigmagem e probjeto. O capítulo 3 descreve o desenvolvimento da contraditória noção de modelo na série The Illustration of Art (de Dias), na qual a dimensão "ambiental" passa refletir criticamente sobre a dinâmica econômica e os interesses financeiros que permeiam a produção artística - dinâmica e interesses que, com o "milagre econômico" (1967-1973) levado a cabo pela política econômica do regime, passam a ditar cada vez mais a produção artística. O capítulo 4 aborda a edição do álbum Trama (1977), produzido por Antonio Dias, dentro do contexto da abertura "lenta, segura e gradual" do regime. Em Trama surge um novo uso do modelo reprodutivo e modular, para além daquele fornecido por The Illustration of Art, que procura dar ao espectador a possibilidade de uma visada retrospectiva e totalizadora. Trama adotaria a formulação da arte ambiental de Hélio Oiticica como modelo programático, mas como um programa impossível de ser seguido - visto que a obra realiza o "ambiental" apenas graficamente (e abstratamente), como modelo para a reflexão e crítica, que, num só movimento, propõe e frustra a "participação do espectador".

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