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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Clarice Nunes (Org.) - Anísio Teixeira














Sabem-se os nascimentos quando já foram sofridos. Assim que nasce, o sujeito empreende uma viagem rumo ao desconhecido, já que não sabe ainda quem é, mas vai descobri-lo nas suas respostas às provocações da própria existência. Não nascemos educadores. Tornamo-nos educadores num processo laboriosamente construído, lapidado no diálogo com diversos educadores que transitam dentro de nós. Saber qual é o nosso propósito na vida não é tarefa fácil. Ele vai se delineando em nossa infância, adolescência e juventude. Ao tomar uma decisão a respeito de um propósito, optamos por realizar esforços que vamos levar a termo no futuro. Toda decisão é fruto das escolhas que fazemos dentro do enfrentamento de situações que vivemos e que são afetadas pela nossa origem social e pelas influências do grupo familiar, da escola e dos amigos.

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Gregório Weinberg (Org.) - Andrés Bello














Andrés Bello é figura exemplar da história da cultura da América Latina: ele foi um dos educadores mais importantes do século XIX e é considerado o maior humanista desse período. Sua personalidade equilibrada, sua vida austera de erudito fazem dele um verdadeiro Mestre – termo que se reveste, em espanhol, de inúmeras acepções, desde o sentido de “pessoa que ensina em uma escola primária” até ao elogioso “pessoa de grande mérito”. Escrita com letra maiúscula, a palavra constitui, além disso, uma marca de deferência a uma personalidade eminente, extraordinária. No caso de Andrés Bello, todas essas acepções se combinam. Sua vasta e perene obra revela o interesse que ele demonstrou pela escola primária e, mais ainda, pela universidade. A isso, soma-se sua atuação como gramático, jurista, filósofo e político.

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Raquel Gandini (Org.) - Almeida Júnior














Antonio Ferreira de Almeida Júnior nasceu em Joanópolis, estado de São Paulo, em 8 de junho de 1892. Almeida Júnior, como ficou conhecido e será chamado neste livro, participou de algumas das mais importantes passagens da história da educação brasileira: em 1920 assessorou Antonio Sampaio Dória, então Diretor do Ensino do Estado de São Paulo, realizando o primeiro recenseamento escolar; foi um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932; auxiliou Fernando de Azevedo na elaboração do Código de Educação do Estado de São Paulo, em 1933; foi um dos autores do projeto de criação da Universidade de São Paulo, em 1934, importante colaborador da fundação da Escola Paulista de Medicina (hoje Universidade Federal de São Paulo) e Diretor do Ensino Público do Estado de São Paulo durante o período de setembro de 1935 a abril de 1938. Além disso, teve importante atuação no Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo e no Conselho Nacional de Educação. Neste último foi o Relator Geral da Comissão criada pelo ministro da Educação, Clemente Mariani, em 1948, para elaborar o anteprojeto da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Em 1959 assinou também o Manifesto dos educadores democratas em defesa do ensino público: mais uma vez convocados. Manifesto ao Povo e ao governo (1959). Com a vigência da LDB de 1961, foi instituído o Conselho Federal de Educação, o qual integrou por longo mandato, chegando a presidi-lo. Emitiu muitos pareceres com a competência que todos lhe reconhecem.

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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Candido Alberto Gomes - Darcy Ribeiro














Para início de conversa, Darcy não era um só, eram vários. Como a singularidade é pobre, constituía uma pluralidade de seres em apenas um. Por isso, certa vez, num discurso, comparou-se a uma cobra com várias peles (Ribeiro, 1992). Ao longo da vida vestiu várias delas, algumas ao mesmo tempo: foi pelo menos educador, antropólogo, indigenista, escritor de ficção e político. Por dentro dessas peles, ele era singular: apaixonado por tudo o que escrevia e fazia, sonhador, orador que sacudia corações e mentes, idealista que não ficava só nos ideais, construtor de sonhos na prática. Quando falamos no seu nome, podemos nos lembrar do edificador de Centros Integrados de Educação Popular (Cieps) no Rio de Janeiro, do criador de universidades (a última das quais, a Universidade Estadual do Norte Fluminense) e do exilado que viveu longo tempo fora do Brasil.

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G. N. Filonov - Anton Makarenko














A evolução da teoria pedagógica e do sistema de ensino foi, na URSS, estreitamente ligada às inovações científicas e ao trabalho prático de toda uma plêiade de eminentes educadores. Entre os grandes educadores soviéticos que lutaram ativamente para que as ideias e os princípios democráticos fossem reconhecidos na teoria e na prática pedagógicas, Anton Semionovitch Makarenko (1888-1939) desempenhou um papel de primeiro plano. Seu nome figura, com razão, no número de clássicos da pedagogia mundial e seus livros, publicados em milhões de exemplares em todos os continentes, desfrutam de imensa popularidade. Em numerosos países, realizam- se pesquisas sobre suas atividades e tenta-se aplicar suas ideias à práxis pedagógica. Todavia, não é raro que, nos estudos especializados como nas obras destinadas ao grande público, o caso Makarenko seja ainda apresentado de modo parcial e até mesmo errôneo.

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Attilio Monasta - Antonio Gramsci














A educação é um campo no qual a teoria e a prática, a cultura e a política, inevitavelmente, se confundem; em que a pesquisa e a descoberta teórica se misturam com a ação social e política. Frequentemente, se faz uma distinção, quando não uma oposição, entre esses dois aspectos da educação. A utilização ideológica da cultura e da ciência, muitas vezes, leva à “neutralização” dos efeitos educativos e políticos do desenvolvimento cultural e à “justificativa” do poder político por meio de teorias domesticadas que, por isso, podem ser definidas como “ideologias”. É difícil definir a totalidade dessa “educação” quando se opera a tradicional desintegração entre as disciplinas e os campos de investigação cultural, considerando que a educação segue paralelamente ao crescimento das crianças e de sua escolarização, desde o jardim de infância à universidade.

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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Jean-Claude Filloux (Org.) - Émile Durkheim














Émile Durkheim “pensou” a educação no âmbito do projeto de construção do que queria que fosse uma verdadeira ciência social. O próprio projeto inseria-se num contexto múltiplo: o meio no qual Durkheim passou sua infância, a situação histórica da França após a guerra contra a Alemanha e a derrota de 1870, o longo período de conflitos sociais e políticos por que passava seu país.

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Robert B. Westbrook (Org.) - John Dewey














John Dewey foi o filósofo norte-americano mais importante da primeira metade do século XX. Sua carreira cobre a vida de três gerações e sua voz pôde ser ouvida no meio das controvérsias culturais dos Estados Unidos (e do estrangeiro) desde a década de 1890, até sua morte em 1952, quando completara 92 anos de idade. Ao longo de sua carreira, Dewey desenvolveu uma filosofia que advogava a unidade entre teoria e prática, unidade de que dava exemplo em sua própria ação como intelectual e militante político. O pensamento dele baseava-se na convicção moral de que “democracia é liberdade” –, ao que dedicou toda sua vida, elaborando uma argumentação filosófica para fundamentar esta convicção e militando para levá-la à prática. O compromisso de Dewey com a democracia e com a integração entre teoria e prática foi, sobretudo, evidente em sua carreira de reformador da educação.

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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Carlos Roberto Jamil Cury - Alceu Amoroso Lima














Em suas produções, Alceu primava sempre pela clareza na exposição de suas ideias, objetivando uma explanação da realidade existente, e discordava que a produção intelectual ocultasse os preceitos éticos e morais daquele que fala. Não via credibilidade na imparcialidade, assim como assumia uma posição crítica à medida que defendia sua posição ideológica de maneira explícita.

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René Zazzo - Alfred Binet














“A antiga pedagogia é como uma carruagem fora de moda: range, mas ainda pode ser útil. [A nova pedagogia] tem o aspecto de uma máquina de precisão; mas as peças parecem não ter relação umas com as outras, e a máquina tem um defeito: ela não funciona.” Assim Alfred Binet se expressa no capítulo final de seu último livro, Ideias modernas sobre as crianças. Publicada em 1911, esta obra é um balanço crítico do que “trinta anos de pesquisas experimentais [...] nos ensinaram sobre as coisas da educação”. Entretanto, o autor não se limita a um resumo de suas pesquisas – as suas e as dos outros –; ele se empenha em sugerir novas pesquisas, a esboçar, assim, “a obra de amanhã”. Mas não haverá amanhã para ele: Binet morre alguns meses depois da publicação de seu livro. O balanço toma, então, ares de um testamento.

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