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Estamos Em Uma "Casa" Nova

Convidamos todos os nossos visitantes a conhecerem a nova Biblioteca Virtual Livr'Andante ( www.livrandante.com.br ).

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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Carlos Drummond de Andrade - Lição De Coisas














Lição de coisas veio a lume em 1962, mesmo ano em que o próprio Drummond organizou — com inaudita perspicácia — a Antologia poética. Há, para o leitor mais atento, de fato um diálogo a ser estabelecido entre os dois livros. Se na Antologia o poeta revia o próprio legado àquela altura de seus trinta anos de carreira e dos sessenta de vida, neste livro original ele projeta seus grandes temas, como o passado, Minas, a brevidade da vida e a observação do tempo, em diálogo com a poesia do período, como o Concretismo. Há no volume desde peças mais tradicionais que se tornariam clássicos do autor, como “O padre, a moça” (que iria inspirar o filme O padre e a moça, dirigido em 1965 por Joaquim Pedro de Andrade), até novidades absolutas como “Isso é aquilo”, espécie de poema-catálogo que iria inspirar muitos outros poetas e compositores: “o fácil e o fóssil/ o míssil e o físsil/ a arte e o enfarte/ o ocre e o canopo [...]”. Um marco verdadeiro na literatura brasileira.

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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Kamyla Álvares Pinto, Marize Castro & Francisco Wildson Confessor (Orgs.) - Cartas Para Zila Mamede














O livro digital Cartas para Zila Mamede é resultado de um projeto da Edufrn de 2015, idealizado para homenagear a poeta e bibliotecária por ocasião dos 30 anos de sua partida. A obra reúne 44 cartas de escritores, alunos, professores, bibliotecários, pessoas que conviveram com Zila e leitores de sua obra poética, que compartilham o sentimento de saudade e de admiração por ela. O projeto gráfico do livro é de Rafael Campos e conta com fotografias do acervo pessoal da pesquisadora e artista plástica Angela Almeida.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Jorge Mautner - Kaos Total














Para celebrar os 75 anos de Jorge Mautner, João Paulo Reys e Maria Borba selecionaram uma amostra de seu acervo inédito e uniram ao material à totalidade de suas letras, parte mais cultuada de sua obra. O volume abre com um explosivo caderno de imagens: as pinturas de Mautner, nunca publicadas em livro, de estética aparentemente naïf, mas que quando apreciadas com cuidado comprovam rigor na combinação das cores e formas. Em seguida, a compilação de letras. Pérolas como “Maracatu atômico”, “Lágrimas negras” e “Vampiro”, dispostas em ordem cronológica e por álbum, revelam a fecundidade do cancioneiro de Mautner, que desde os anos 1960 enriquece nossa cultura com sua inventividade. Algumas músicas, como “O rouxinol”, flertam com o universo infantil, enquanto outras exigem alto grau de abstração, como "Tempo sem tempo". Encerram o bloco canções inéditas. Os poemas trazem mais uma face pouco familiar do artista múltiplo. O que vemos é um jorro aparentemente incontido de sentimentos e palavras, orientado por rimas e ritmo. Ou então a concisão de um poema de um só verso: “E agora sobrou o nada”. Na seção de prosa poética, deparamos com alguma ficção, poemas narrativos e em verso livre, reflexões que passeiam com naturalidade por objetos tão variados quanto Freud, Bob Dylan e Schöenberg, além do programa do Partido Revolucionário do Kaos.

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domingo, 20 de novembro de 2016

Castro Alves - O Navio Negeiro














Conhecido como “poeta dos escravos”, Castro Alves foi do Romantismo Brasileiro. Defensor da causa abolicionista e da igualdade entre os homens, morreu precocemente, deixando. Entre outros, “O navio negreiro”, considerados por muitos o mais belo poema da língua portuguesa.

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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Augusto De Campos - Poesia, Antipoesia, Antropofagia & Cia














Guimarães Rosa, Mario Faustino, João Cabral, Ferreira Gullar, Wlademir Dias-Pino, Gregorio de Matos e Oswald de Andrade. A primeira edição de Poesia, antipoesia e antropofagia, de 1978, reunia as “incursões errático-críticas” de Augusto de Campos sobre poetas que, como ele, revolucionaram a poesia brasileira vigente. Passados mais de 35 anos, esta edição revista e ampliada pelo autor volta às livrarias, com a seção & cia., incluindo textos publicados desde então. Os objetos de análise são Ernani Rosas, Oswald de Andrade (novos textos), Sousândrade, Décio Pignatari, Cyro Pimentel, Erthos Albino de Souza e Waldemar Cordeiro, além de reflexões sobre as perspectivas oferecidas à poesia concreta pelas novas tecnologias.

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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Josely Vianna Baptista - Roça Barroca














Roça barroca, da consagrada poeta e tradutora Josely Vianna Baptista, reúne em um mesmo volume o mito poético da criação do mundo dos Mbyá- guarani, integrantes do grupo Tupi (3 cantos sagrados dos Mbyá-Guarani do Guairá, em apresentação bilíngue guarani-português) e poemas originais da autora, frutos de seu contato com a cultura ameríndia (Moradas nômade). O livro traz, ainda, um prefácio do grande escritor paraguaio Augusto Roa Bastos, um texto da autora sobre a mitologia guarani generosas notas às traduções. O resultado é um conjunto de rara beleza poética, para não falar da ainda mais rara oportunidade de entrar em contato direto com textos originais da imemorial tradição oral ameríndia, entre os poucos preservados.

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domingo, 13 de novembro de 2016

Vinicius De Moraes - A Rosa De Hiroshima














Escritor atento aos acontecimentos que moldaram o século XX, Vinicius de Moraes (1913-1980) escreveu poemas sobre eventos, cidades, outros amigos escritores (como Manuel Bandeira e Pedro Nava) e até mesmo sobre futebol. Nos poemas reunidos especialmente para esta edição digital, aparece o Vinicius que observa as cidades, rememora os afetos, expõe sua admiração por outros autores. Reunidos especialmente para esta edição, são poemas selecionados a partir de diversos volumes de sua obra, funcionando como uma pequena – porém significativa – antologia do grande poeta brasileiro.

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Vinicius De Moraes - A Uma Mulher














Vinicius amava a beleza, os amigos, era homem dedicado a cultivar os afetos. E também era um grande amante das mulheres. Uma boa parte de sua produção — principalmente na poesia — versa sobre a presença feminina na sua vida ou mesmo sua observação do comportamento das mulheres, pelo qual o autor tinha imenso fascínio. Disso resulta sua absoluta imersão na lírica amorosa: o encanto, a paixão, o romance e o inevitável fim de muitas relações servem como mote. Essa reunião dos poemas amorosos de Vinicius de Moraes é uma boa porta de entrada para o universo de um dos nossos maiores escritores. E mais: é um passeio, de mãos dadas com o grande poeta, pelas diversas formas e abordagens do amor na poesia brasileira do século XX.

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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Millôr Fernandes - Poemas














Este livro apresenta ao leitor 167 poemas de Millôr Fernandes. Nos textos há a combatividade, o lirismo, a dramaticidade, o ceticismo, a tragicomicidade, enfim, a coerência de Millôr Fernandes.

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Millôr Fernandes - Hai-Kais














O hai-kai foi criado no Japão e é, por definição, um pequeno poema composto de três versos, e não possui rima, que foi acrescentada nas suas versões ocidentais. Neste livro foram reunidos alguns hai-kais criados entre 1959 e 1986.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Carlos Drummond De Andrade - O Poder Ultrajovem














O poder ultrajovem reúne textos publicados por Carlos Drummond de Andrade na imprensa entre o final da década de 1960 e o início da década de 1970. Trata-se de um poderoso conjunto de prosa e verso - sempre pendendo para os domínios da crônica, gênero que o grande escritor mineiro praticou como poucos -, em que o olhar maduro e algo desencantado (mas com muita ironia) do autor se debruça sobre os mais diversos aspectos da vida e da sociedade daquela época. Temas como a amizade, a história do Brasil, a vida no Rio de Janeiro, as artes, o Carnaval, o futebol e até mesmo a ecologia aparecem no estilo leve e sempre afiado de Drummond. As crianças e os jovens ocupam um espaço à parte no livro, pois são agudos os apontamentos a respeito das transformações pelas quais meninos e meninas atravessavam naqueles tempos conturbados em que conviviam, ao menos no Brasil, os hippies e um regime antidemocrático instaurado em 1964 (tendo ficado ainda mais duro e violento justamente na passagem para os anos 1970), a pobreza e a exuberância econômica e cultural da Zona Sul do Rio de Janeiro. Também do ponto de vista da língua portuguesa, os textos de O poder ultrajovem demonstram a riqueza de vozes e estilos captados por Drummond. A gíria e a língua camoniana convivem lado a lado nos textos, a expressão mais solta e viva da fala carioca conversa em pé de igualdade com a dicção mais culta. Prova de que o poeta mineiro tinha ouvido apurado para entender a vida. Com posfácio do crítico Alcir Pécora, esta nova edição de um dos mais cativantes livros de Drummond é um brinde à vivacidade e à inteligência sutil de um dos nossos mais estimados escritores.

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Vinicius De Moraes - Forma E Exegese & Ariana, A Mulher














Neste volume, o leitor tem reunidos Forma e exegese (1935) e Ariana, a mulher (1936), o segundo e o terceiro livro de Vinicius de Moraes, respectivamente. Forma e exegese foi publicado quando Vinicius tinha apenas 22 anos. Mas se o jovem poeta já chamara a atenção da crítica com seu primeiro livro, O caminho para a distância (1933), o segundo trouxe a consagração ao receber o prestigioso prêmio da Sociedade Felipe d’Oliveira. Ariana, a mulher é um único e longo poema que põe em cena, como num transbordamento, o mundo emotivo e existencial de um sujeito. O texto se inicia com o relógio “batendo soturnamente a Meia Noite” e termina com o mesmo relógio “parado sobre a Meia Noite”. É nesse mundo estagnado, morto, que o poeta clama por Ariana. Mas ela não é apenas uma mulher; como o título sugere, ela é a mulher. E é também a morte, a vida, a natureza. O volume que o leitor tem agora em mãos abre-se com um caderno de imagens que reproduz manuscritos e datiloscritos - parte do longo trabalho do poeta para chegar à versão final dos poemas -, fotografias e outros documentos, como antigas capas e o recibo de pagamento pela impressão dos primeiros exemplares de Forma e exegese.

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domingo, 6 de novembro de 2016

Flávia Amparo & Gilberto Araújo (Org.) - Antonio Carlos Secchin: Escritas E Escutas














Todo grande poeta tem o dom de nos conceder as palavras capazes de nos traduzir e de nos revelar a nós mesmos. E o poeta não precisa necessariamente escrever em versos para nos conceder esse instante revelador das palavras. Pensamos na vida como um instante de criação através do Verbo primordial: Fiat lux! – mas, a partir do instante genesíaco, temos já franca necessidade de achar novos nomes para traduzir esse mundo recém-criado; ainda mais quando se trata de um universo já estabelecido, murado por construções desgastadas pelo cotidiano. Se retomarmos o dizer machadiano, “O mundo não nos é dado, o mundo nos é proposto”, temos, pois, uma concepção de mundo que sugere a necessidade de uma contraproposta ou de uma reinvenção dos seres e das coisas. Certamente essa tarefa criadora fica a cargo dos poetas. Mas se o poeta nos traduz, como, pois, poderemos traduzi-lo? Talvez falte aqui nesta apresentação a palavra precisa para definir o poeta Antonio Carlos Secchin - no dizer de Riobaldo: “Muita coisa importante falta nome”, ao que podemos acrescentar que um só nome talvez não seja suficiente para revelá-lo em toda a extensão de seu estro.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Adélia Prado - Poesia Reunida














Adélia Prado, uma das mais renomadas autoras brasileiras, sabe como ninguém retratar a alma e os sentimentos femininos em seus poemas, contos e romances. Acostumada a verbalizar em sua obra a perplexidade e o encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico - uma das características de seu estilo único -, a poetisa mineira usa o mais comum da vida cotidiana em um tom doce e apaixonado para recriar a vida do interior mineiro por meio de uma linguagem inovadoramente feminina. Neste único volume repleto de seu imaginário acolhedor, encontram-se todos os poemas de Bagagem, O coração disparado, Terra de Santa Cruz, O pelicano, A faca no peito, Oráculos de maio, A duração do dia e Miserere. Esta edição conta ainda com textos de Carlos Drummond de Andrade e Affonso Romano de Sant’Anna e posfácio de Augusto Massi. Um verdadeiro presente para o leitor de clássicos da literatura brasileira.

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Cleonice Berardinelli (Org.) - Mário De Sá-Carneiro: Antologia














O livro perpassa todas as vertentes da obra literária deste autor que, junto a nomes como Fernando Pessoa, Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros, promoveu uma surpreendente renovação da arte literária em Portugal na primeira metade do século XX. A edição, que pretende apresentar um panorama inédito do autor no Brasil, conta com mais de cinquenta poemas, a novela 'A confissão de Lúcio', contos como 'A estranha morte do prof. Antena' e 'O homem dos sonhos', além das cartas enviadas por Sá-Carneiro ao seu amigo e confidente Fernando Pessoa. O livro conta ainda com três ensaios de Cleonice Berardinelli.

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Rubem Alves & Elisa Lucinda - A Poesia Do Encontro














A palavra encontra o papel, o autor encontra a imagem que vai traduzir sua idéia, o leitor se encontra com uma sensação que já conhecia, mas que nunca havia formulado claramente antes. Poesia é a arte do encontro. E do encontro de Elisa Lucinda e Rubem Alves só se pode esperar beleza, encantamento. Como diz Gilberto Dimenstein no prefácio: "Não me lembro (...) de ter sentido tanta emoção com a poesia como nesse dia em que os dois se reuniram para fazer este livro – uma não conhecia o outro, e a força da palavra fez deles rapidamente íntimos, como se fossem amigos de longa data". Essa "fulminante intimidade entre Elisa e Rubem, dois educadores que respiram poesia, é a intimidade que a arte nos faz ter com a vida".

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domingo, 30 de outubro de 2016

Virgílio - Bucólicas














As Bucólicas de Virgílio, com sua densa musicalidade e seus pastores-poetas que, em meio à paisagem amena do campo, celebram seus amores e disputam entre si a primazia no canto, são recriadas em português por Manuel Odorico Mendes. Esta edição – bilíngüe e anotada e comentada pelo Grupo de Trabalho Odorico Mendes, sediado no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp -, além do esclarecimento do vocabulário e da sintaxe, traz para cada poema um comentário, em que se apontam, para o leitor que deseja penetrar nesse laboratório de recriação poética, os modos vários como Odorico Mendes recria em português os sons, ritmos, efeitos de sintaxe e a ordem expressiva das palavras do original latino.

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Jacicarla Souza Da Silva - Vozes Femininas Da Poesia Latino-Americana: Cecília E As Poetisas Uruguaias














É a partir de uma perspectiva de "dupla revisão" que Vozes femininas da poesia latino-americana: Cecília e as poetisas uruguaias ressalta um outro perfil da escritora brasileira Cecília Meireles: a de grande estudiosa e conhecedora da produção de autoria feminina latino-americana. O livro tem como ponto de partida o ensaio ceciliano intitulado "Expressão feminina da poesia na América", que corresponde a uma conferência proferida no ano de 1956, na Universidade do Brasil, e que apresenta um panorama da expressão lírica feminina na América hispânica. As poetisas mencionadas por Cecília Meireles em seu texto, embora desempenhem um importante papel no cenário da produção poética de seus respectivos países, nem sempre integram a historiografia tradicional canônica; injustiça que o ensaio ceciliano corrige. Para mostrar a importância desse texto ceciliano em relação aos estudos feministas na América Latina são realizados alguns comentários sobre a crítica literária feminista, bem como acerca da vasta produção da autora de Romanceiro da Inconfidência. Além disso, estabelece-se um diálogo entre a escritora brasileira e as poetisas hispano-americanas. O livro demonstra o comprometimento de Cecília Meireles com a escrita feminina no contexto sóciocultural latino-americano.

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Marcio Jung - Poesias Pesadas














A presente obra é composta por poesias pessimistas, otimistas, sociais, algumas biográficas, e duas poesias de literatura fantástica. O que predomina na obra é a desilusão.

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Paulo Henriques Britto - Formas Do Nada














Desde o título, Formas do nada não deixa dúvida sobre o jeito de Paulo Henriques Britto praticar a poesia. O som aberto e incisivo dos “as” e a batida firme e séria do ritmo anunciam a pegada combativa de quem não está para contemplações ou devaneios. Sofisticado em seu uso da rima e da métrica, o poeta faz exercícios para melhor estourar a forma clássica: “A realidade é um calhamaço insuportável?/ Tragam-me então resumos./ A vida que se leva é um filme inassistível?/ Vejamos só os anúncios.// São os limites do corpo intrusões malignas/ de um demiurgo escroto?/ O corpo não é preciso, e o espírito é impreciso:/ eu não é um nem outro”. A inteligência busca o sentido das coisas e quase teme não encontrar nenhum. “Quase” porque o temor se transforma em força e desafio diante do ilimitado: o poeta, que se vê frágil e irredutível, trata de organizar o mundo com sua voz, com a qual captura o que talvez viva na sensação de vazio e sem sentido. A poesia de Paulo Henriques Britto, permeada pelo humor irônico de quem quase não se permite ter esperança, opera uma prestidigitação impecável e engana o leitor: diz produzir “sofríveis simulacros de sentido”, mas na verdade produz vida palpável e sonora.

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