Todo grande poeta tem o dom de nos conceder as palavras capazes de nos traduzir e de nos revelar a nós mesmos. E o poeta não precisa necessariamente escrever em versos para nos conceder esse instante revelador das palavras. Pensamos na vida como um instante de criação através do Verbo primordial: Fiat lux! – mas, a partir do instante genesíaco, temos já franca necessidade de achar novos nomes para traduzir esse mundo recém-criado; ainda mais quando se trata de um universo já estabelecido, murado por construções desgastadas pelo cotidiano. Se retomarmos o dizer machadiano, “O mundo não nos é dado, o mundo nos é proposto”, temos, pois, uma concepção de mundo que sugere a necessidade de uma contraproposta ou de uma reinvenção dos seres e das coisas. Certamente essa tarefa criadora fica a cargo dos poetas. Mas se o poeta nos traduz, como, pois, poderemos traduzi-lo? Talvez falte aqui nesta apresentação a palavra precisa para definir o poeta Antonio Carlos Secchin - no dizer de Riobaldo: “Muita coisa importante falta nome”, ao que podemos acrescentar que um só nome talvez não seja suficiente para revelá-lo em toda a extensão de seu estro.
Baixe o arquivo no formato PDF aqui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário