Esta pesquisa tem como temática mais geral os procedimentos censórios no
Brasil,do pós AI-5 à Constituição de 1988. A análise, contudo, é
abordada a partir da relação entre censores e jornalistas sob a
perspectiva do colaboracionismo, ou da não oposição às medidas
restritivas. Isto porque, no processo de investigação, constatei que os
primeiros censores deslocados para Brasília, quando da transferência da
capital, eram jornalistas. Assim, por um lado foram mapeados o loeus
institucional das agências de censura no
aparelho de Estado, as tramas legislativas construídas no período
Republicano, e as gerações dos Técnicos de Censura do DCDP -
Departamento de Censura de Diversão Pública - além de toda a estratégia
corporativa montada por este grupo para sobreviver após a decretação do
fim da censura oficial, em 1988. Por outro, foi redesenhada a trajetória
do periódico Folha da Tarde, do Grupo Folha da Manhã, que tinha a fama
de possuir, em sua redação, jornalistas que eram policiais, sendo
acusado também de colaborar com o regime que se instalou no Brasil em
1964. Partindo de uma abordagem da história cultural, cruzam a
metodologia deste trabalho a união da história política com a história
oral, dando voz aos personagens dessa trama - jornalistas e
censores.O foco na Imprensa permite também refletir a relação entre estes
dois profissionais das letras- jornalistas e historiadores- na
investigação e feitura da história do tempo presente.
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Estamos Em Uma "Casa" Nova
Convidamos todos os nossos visitantes a conhecerem a nova Biblioteca Virtual Livr'Andante ( www.livrandante.com.br ).
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sexta-feira, 21 de outubro de 2016
quarta-feira, 2 de março de 2016
Otaviano José Pereira - Salva Tua Alma! A Trajetória Do Cristianismo Da Igreja Como Negação Do Corpo E Os Impasses Do Clero Contemporâneo
Este texto tem tudo para ser uma tese "burguesa" sobre a questão do corpo. Em que sentido? Quando reivindica principalmente o primado da "leitura erótica", não absolutizando, mas tentando dar maior ênfase a este viés de leitura, diante da proliferação de interpretações sociais que o tema tem recebido. O autor não está preocupado com rótulos. E tem consciência de que não quer anular o discurso acentuadamente social da "leitura" do corpo que, principalmente a corrente chamada Teologia da Libertação tem elaborado, e com méritos.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Christina Da Silva Roquette Lopreato - O Espírito Da Revolta: A Greve Geral Anarquista De 1917
Desde o final do século XIX e o início do século XX, o Brasil deu início
a uma intensa política de imigração; sendo que no período subseqüente à
abolição do regime escravista (1888) esse processo foi
consideravelmente acelerado. Os imigrantes, compostos por homens e
mulheres vindos de diferentes países do continente europeu, tais como
Alemanha, Itália, Espanha e Portugal, chegaram no Brasil, em especial no
estado de São Paulo, seduzidos pela idéia de alcançar uma melhor
situação de vida e de, como eles mesmos diziam, “Fazer a América”.
Inicialmente, larga parcela destes trabalhadores foi empregada no meio
rural, substituindo os negros (até então escravos) no trabalho agrícola
em lavouras cafeeiras. O tratamento endereçado ao trabalhador recém
chegado no país carregava consigo, ainda, um acento fortemente
escravista, que parecia não reconhecer a liberdade contratual existente
nas relações sociais de conteúdo capitalista. Recebendo salários de
subsistência, alocados em péssimas moradias, realizando altas jornadas
diárias de trabalho,e, até sofrendo castigos físicos, esses
trabalhadores começam a perceber que seu sonho estava se transformando
em um pesadelo. Insatisfeitos com essa situação, esses trabalhadores
começam a se revoltar e fugir das fazendas.
Aqueles que possuíam condições financeiras melhores voltaram para os
seus países de origem, aqueles que não, se dirigiram para outros locais
dentro do próprio pais, sendo que um número considerável destes se
dirigiu para a capital paulista, onde iriam compor um jovem movimento
operário, que se formava junto à incipiente indústria brasileira.
Juntamente com a corrente imigratória que trouxe os trabalhadores
europeus, chegaram também os anarquistas estrangeiros, em sua maioria,
procurando refúgio e proteção das perseguições políticas em suas terras
natais.
Nessa mudança do cenário rural para o cenário urbano, a situação dos
trabalhadores não foi alterada de forma substancial; eles continuavam
recebendo salários baixos, moravam em cortiços e eram submetidos a uma
grande jornada diária de trabalho. Diante da situação existente na
sociedade brasileira, o anarquismo se transformou em uma ideologia forte
nos meios operários. De acordo com Lopreato, a semente plantada por
trabalhadores e militantes estrangeiros germinou. “A planta exótica do
anarquismo floresceu em solo paulista e em outras cidades brasileiras, e
foi se revelando uma força política ativa, capaz de fazer adeptos e de
mobilizar os trabalhadores em movimentos de protesto contra as mazelas
da sociedade burguesa”.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Marco Antonio Farias Scarassatti - Retorno Ao Futuro: Smetak E Suas Plásticas Sonoras
Uma das tendências mais significativas no contexto das artes no século
XX é o processo de interação entre as linguagens expressivas
paralelamente ao desenvolvimento tecnológico dos meios sociais de
comunicação. Dentro deste novo universo artístico de busca do ideal da
Arte total, há de se destacar a importância do compositor suíço
naturalizado brasileiro Walter Smetak que, movido pela idéia de que "um
novo mundo requer homens novos e uma música nova - e para isso,
instrumentos musicais diferentes" (Smetak, 1991: 184), bem como através
de seus conhecimentos como compositor, poeta, esotérico, filósofo e
artista plástico, chegou, nos idos da década 60 até o início da década
de 80, à concepção e criação de novos instrumentos musicais, ou como
eram chamados, "plásticas-sonoras", objetos que, em si, agregavam duas
linguagens expressivas: música e escultura. A pesquisa aqui descrita
constituiu-se no levantamento, estudo e documentação da obra de Walter
Smetak, a fim de discutir seu pensamento e obra, e da mesma maneira,
reunir subsídios para a análise de seu processo criativo, apontando a
interação entre meios e linguagens, na busca de uma arte inter, trans e
multidisciplinar, interação esta, tão bem representada na obra deste
verdadeiro alquimista de sons (Moraes, 1985: 5), profeta visionário da
multimídia unplugged.
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terça-feira, 27 de outubro de 2015
Ana Claudia Chaves Teixeira - Para Além Do Voto: Uma Narrativa Sobre A Democracia Participativa No Brasil (1975-2010)
A democracia participativa foi uma construção histórica, feita por atores concretos de esquerda que, buscando responder a problemas concretos, fizeram escolhas e produziram experiências e discursos que resultaram na ampliação dos sentidos da democracia no Brasil. Esta tese busca cotejar passado e presente, tendo como ponto de partida os sentidos e as opções históricas que os atores tinham diante de si no contexto dos anos 1970. Ao utilizar textos produzidos em cada período, tanto de acadêmicos quanto de militantes, o trabalho recupera as distintas visões e o imaginário social construído sobre o tema no interior da esquerda e busca compreender porque determinados modelos institucionais de democracia participativa e não outros saíram “vencedores”. Aqui, o patamar normativo é inserido como elemento da avaliação e não algo que deva ser superado em nome de uma avaliação objetiva das experiências de democracia participativa.
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sexta-feira, 10 de julho de 2015
Kátia Chiaradia - Ao Amigo Franckie, Do Seu Lobato
Durante o período de 1934 a 1937, estreitaram-se as relações entre
Monteiro Lobato e o suíço Karl Werner Franke, engenheiro do petróleo
que, imigrado em junho de 1920, passa a chamar-se Charles Frankie.
Lobato e Frankie trocaram nesse período de três anos mais de cem
missivas além de alguns documentos técnicos relacionados à exploração
do petróleo brasileiro. Nessas cartas, Lobato, além de se familiarizar
com alguns termos técnicosgeológicos da exploração petrolífera, faz
críticas contundentes ao Código de Minas de 1934 e ao "atraso
brasileiro" e protagoniza a história das primeiras companhias
petrolíferas do Brasil. Em outros momentos da correspondência, entram em
discussão questões acerca da parceria na tradução e prefaciação de A
luta pelo Petróleo, de Essad Bey, Lobato e Franckie discutem literatura e
seus aspectos, como os requisitos para uma boa tradução, ou os
critérios para um livro bem editado e bem distribuído. Os exemplares d'A
luta são tidos, por ambos, como propulsores de uma nova Era para as
pesquisas petrolíferas.
Acabei A Luta do Petróleo. O editor daqui pagará 500
marcos ao editor alemão, de direitos, e nós daremos nosso
trabalho de tradução de graça em troca de 1000 exemplares para
distribuirmos pelo congresso federal e estadual e mais gente do
governo que não tem a menor idéia do que seja o petróleo. Vou
agora fazer o meu prefácio. Você fará o seu - e num apêndice
porei no fim a Lei de Minas, precedida duma introdução
maquiavélica em que se foi a Standart que mandou fazer aquela
lei cheia de embaraços, para que ela pudesse sossegadamente ir
adaptando as terras petrolíferas até o dia em que entenda-se em
explorar petróleo. Aí então cairá a Lei de Minas atual, que se terá
aproveitado a ela, e virá uma nova que a favoreça.
... O livro é que vai abrir os olhos dessa gente,
mostrando a significação do petróleo. Ninguém sabe. Este país é
uma burrada imensa...(...)
Fundação de companhias, críticas a uma legislação falha e a busca de uma
que privilegie os interesses nacionais da exploração do petróleo,
relações cotidianas de perfuração, implicações políticas de um livro: é
disso basicamente que se ocupam tais cartas, representativas dessa
parceria "político-ideológicoliterária". A dissertação em questão estuda
o cruzamento dessa correspondência entre Lobato e Frankie com a ficção O
poço do visconde e a prosa crítica sóciopolítica de O Escândalo do
Petróleo, apontando semelhanças e divergências na abordagem do mesmo
tema por diferentes gêneros.
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sábado, 24 de janeiro de 2015
Paulo Jose Olivier Moreira Lara - Fragmentos Das Táticas Da Cultura: Técnica E Política Dos Usos De Mídia
Esta pesquisa verifica a adaptação do conceito de "tática" desenvolvido
por Michel de Certeau e utilizado como fundação teórica de um movimento
denominado Midia Tática. Com origens na Europa no final do século XX,
este movimento herda modos de expressões culturais aliados à uma
construção crítica do aparato tecnológico, notadamente das mídias
eletrônicas e informáticas. Situamos a discussão sociológica a partir do
conceito de racionalidade emergido no debate sobre recentes mutações na
configuração do capitalismo e da tendências à novas formas de dominação
que se erguem apoiadas no desenvolvimento tecnológico e na mudança das
condutas erigidas das transformações do século XX. Para isso, situamos a
Mídia Tática no contexto e discussões que deram origem a esta percepção
e discutimos aspectos de recentes manifestações de oposição enquanto
culturas que se utilizam desta noção em seus diferentes aspectos de
intervenção. A intenção é observar os módulos de conflito e contradições
que se dão quando o aumento das manipulações tecnológicas entram em
contato com novas formações coletivas e padrões individuais e verificar
os elementos políticos e culturais que resultam desta junção.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Maryan Avelar Martins - Processos Artesanais De Manipulação Da Fotografia
Esta dissertação de mestrado está inserida na área de
poéticas visuais. Trata-se de um trabalho de criação de imagens, com técnicas
mistas, como a pintura, o desenho e a gravura, sobre o suporte fotográfico.
Através da criação de meu próprio trabalho plástico, pude me situar em um novo
contexto e formar conceitos, através da reelaboração de significado. Abordo a
poética das imagens através da metodologia própria à área de artes plásticas e
estabeleço relações entre o meu trabalho e a obra de artistas plásticos e
fotógrafos que escolhi como referenciais para conduzir a pesquisa. Discuto
conceitos relacionados à materialidade das imagens e apresento um panorama sobre
arte e técnica no século XX. As evoluções do aparato técnico desde a gravura e
o desenho, que situam-se no paradigma pré-fotográfico, até a fotografia e seu
paradigma: o fotográfico. Apresento um estudo sobre a formação das imagens e
mais especificamente a imagem fotográfica, na qual reside o meu foco de
interesse.
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