Esta pesquisa tem como temática mais geral os procedimentos censórios no
Brasil,do pós AI-5 à Constituição de 1988. A análise, contudo, é
abordada a partir da relação entre censores e jornalistas sob a
perspectiva do colaboracionismo, ou da não oposição às medidas
restritivas. Isto porque, no processo de investigação, constatei que os
primeiros censores deslocados para Brasília, quando da transferência da
capital, eram jornalistas. Assim, por um lado foram mapeados o loeus
institucional das agências de censura no
aparelho de Estado, as tramas legislativas construídas no período
Republicano, e as gerações dos Técnicos de Censura do DCDP -
Departamento de Censura de Diversão Pública - além de toda a estratégia
corporativa montada por este grupo para sobreviver após a decretação do
fim da censura oficial, em 1988. Por outro, foi redesenhada a trajetória
do periódico Folha da Tarde, do Grupo Folha da Manhã, que tinha a fama
de possuir, em sua redação, jornalistas que eram policiais, sendo
acusado também de colaborar com o regime que se instalou no Brasil em
1964. Partindo de uma abordagem da história cultural, cruzam a
metodologia deste trabalho a união da história política com a história
oral, dando voz aos personagens dessa trama - jornalistas e
censores.O foco na Imprensa permite também refletir a relação entre estes
dois profissionais das letras- jornalistas e historiadores- na
investigação e feitura da história do tempo presente.

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