Este livro é resultado de uma pesquisa de análise documental
desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade
Estadual de Maringá no período 2004-2006. A idéia das autoras em abordar
o tema política educacional para a Educação Infantil no período 1990 a
2001 na imprensa periódica surgiu da preocupação em compreender como os
professores-leitores apreenderam o discurso veiculado sobre a
configuração das políticas nesse período de intensas reformas
educacionais. Desta maneira, levantar a forma com que os textos e suas
enunciações reproduziram esse contexto e colaborar para a implementação
das políticas é essencial. As duas revistas escolhidas para essa
assimilação foram selecionadas porque são as mais lidas e conhecidas
pelos professores da Educação Infantil no Brasil. O fato de uma ser de
cunho mercadológico e a outra de cunho oficial foi um aspecto
propositalmente estabelecido, pois havia o interesse em diferenciá-las
quanto à maneira que representam as políticas educacionais nas
enunciações. Foi tomado como universo representativo para a análise, as
enunciações das revistas Nova Escola (Editora Abril) e Criança (MEC),
alguns documentos de organismos internacionais e documentos oficiais.
Distinguiu-se que as categorias discursivas que compõem a trama de
conceitos politicamente estratégicos para a Educação Infantil foram a
Qualidade, a Descentralização e a Focalização. Com o intuito de
evidenciar os vínculos das análises ao contexto macroeconômico, as
políticas para a Educação Infantil foram abordadas por meio da mediação
com a contextualização da mundialização do capital. No primeiro capítulo
do livro, apresentamos a Educação Infantil inserida na contextualização
histórica da atual fase de desenvolvimento do capital, a mundialização
econômica, bem como a redefinição do papel do Estado e os ajustes
neoliberais que determinaram as políticas públicas educacionais na
década de 1990. No segundo capítulo, discutimos sobre as políticas para a
Educação Infantil tendo como base a história desta etapa de ensino no
Brasil e as orientações políticas das agências internacionais tais como a
UNESCO, CEPAL e o Banco Mundial. Apresentamos também a estrutura
políticas dos documentos oficiais destinadas a regulamentar a Educação
Infantil no Brasil. A análise das categorias políticas Qualidade,
Descentralização e Focalização foi o foco do terceiro capítulo. Tal
abordagem colaborou para evidenciar que as políticas de ajustes
neoliberais propaladas pelas agências internacionais foram acopladas nas
políticas públicas destinadas à Educação Infantil e, também, foram
estrategicamente veiculadas nos textos das revistas dirigidas aos
profissionais dessa área. O enfoque para as análises foi pautado na
concepção de que o texto é discurso produzido no embate da luta de
classes. A análise mostrou que o caráter dos textos veiculados sugeriu
uma continuidade aos ajustes neoliberais estruturais na educação
infantil.
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