Se eu
tivesse de responder à seguinte questão: o que é a escravidão? E a respondesse
numa única palavra: é um assassinato, meu pensamento seria logo compreendido.
Eu não teria necessidade de um longo discurso para mostrar que o poder de tirar ao homem o pensamento, a vontade, a personalidade é um
poder de vida e de morte, e que fazer um homem escravo é assassiná-lo. Por que
então a esta outra pergunta: o que é a propriedade? Não posso eu responder da
mesma maneira: é um roubo, sem ter a certeza de não ser entendido, embora esta
segunda proposição não seja senão a primeira transformada? Eu tento discutir a
própria origem de nosso governo e de nossas instituições, a propriedade; estou no
meu direito: posso me enganar na conclusão que resultará de minhas pesquisas;
agrada-me colocar o último pensamento de meu livro no início; estou sempre no
meu direito. Tal autor explica que a propriedade é um direito civil, nascido da
ocupação e sancionado pela lei; tal outro sustenta que ela é um direito
nacional, tendo sua fonte no trabalho, e estas doutrinas, por mais opostas que
pareçam, são estimuladas, aplaudidas.
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