Em época de descrença, de fragmentação, de diluição de referências e, ainda, paradoxalmente, de demarcação de fronteiras com a ostentação bélica, a construção das relações há de estar cada vez mais pautada no diálogo. E a palavra – instância primeira do dialogismo – ergue-nos soberanos, estejamos onde estivermos, sejamos quem formos. A redenção do sujeito vem pela constituição e pela leitura do mosaico sígnico do imaginário, pelo signo absoluto e pleno de pluralidade, pela escrita. E não há outra possibilidade, generalizando a afirmação – de estabelecermos uma relação de construção se não for com o Outro e desde o Outro, porque o arame que nos limita geograficamente não é capaz de obstar nosso devaneio de permeabilidade intersubjetiva, nosso devaneio de estarmos contidos no alheio. É a partir dessa perspectiva que esta reunião de ensaios se constrói, partindo de uma sistematização de signos culturais que compõem o imaginário de nações tão distantes e tão próximas, representados na produção literária, cinematográfica e nos estudos da linguagem. É a partir dessa sistemática que o desejo sobrepõe-se ao receio e nos erguemos plenos do Outro, sedimentando vozes outras que agora se desenham autônomas, independente da vontade da História.
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