Professor na rede municipal de
São Paulo, apaixonado por cinema e com experiência como historiador da
fotografia e do fotojornalismo, Enio de Freitas perguntava-se como imagens em
movimento, mais exatamente o cinema, poderiam contribuir para enriquecer suas
aulas de História. Para responder à questão, ele percebeu que seria necessário
sistematizá-la teoricamente - e desta constatação surgiu esta obra. Freitas
constrói a teoria por meio da análise de textos históricos e atuais que remetem
à aplicação do cinema, e também da arte, na educação brasileira. A análise tem
início nos anos 1930, durante a Era Vargas e a Escola Nova, e mostra as forças
que procuravam controlar a educação no país, entendida então como uma questão
político-social, e as implicações de um projeto de cinema educativo como
"veículo de aprendizagem" e propagador de uma "cultura
nacional". O estudo segue avaliando o período da ditadura militar
(1964-1985), especialmente a ligação entre a Organização Católica Internacional
do Cinema (Ocic) e o movimento cineclubista católico brasileiro, que procurou
atrair o público para as discussões morais que interessavam à Igreja, por meio
da estratégia de "educação de jovens". Ao analisar outro período, o
do governo Fernando Henrique Cardoso, o autor percebe o cinema como ferramenta
de ensino, de acordo com as possibilidades abertas pelos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN) publicados em 1998. E procura entender, também,
qual o significado da utilização dessa arte em sala de aula. Posteriormente são
estudadas publicações da prefeitura de São Paulo, voltadas para professores,
que tratam dos objetivos e conteúdos previstos para cada área de conhecimento
da escola municipal, além da relação desses documentos com propostas
pedagógicas de aplicação da arte como meio de ensino.
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