Grande Prémio do Romance e da Novela da Associação Portuguesa de Escritores, Auto dos Danados (1985)
firma, na evolução da novelística de António Lobo Antunes, o
amadurecimento de técnicas e processos narrativos, visível na própria
estruturação do romance, cujas "partes" correspondem a pontos de vista
díspares dos vários elementos de uma família que, em setembro de 1975,
luta encarniçada pela herança hipotecada de um latifundiário moribundo. O
intertexto vicentino evocado pelo título do romance anuncia, ao mesmo
tempo, a continuidade com a descida aos infernos encetada desde o seu
primeiro romance, pela corrosiva análise psicológica de um leque de
personagens sem qualquer possibilidade de redenção, num país
pós-revolucionário onde as pulsões de sobrevivência se sobrepõem à razão
e à moral.
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