Tem esta bela tragédia de Eurípedes, por principal objetivo, a exaltação do amor conjugal que atinge o mais sublime heroísmo. Alceste,
Laodâmia e Penélope, esposas de Admeto, Protesilau e Ulisses,
respectivamente, constituem o tríptico das mais nobres figuras femininas
que a lenda grega nos apresenta. Das três, porém, coube à incomparável
rainha de Feres praticar o rasgo de abnegação que lhe assegura a
primazia entre as esposas modelares. Enumerando, no canto II da
Ilíada, os contingentes helênicos aliados na luta contra a poderosa
Tróia, Homero menciona os guerreiros de Feres, Glafira e Iólcos, sob o
comando de Eumélio, filho querido de Admeto e de Alceste, a quem o
grande aedo considera “a glória das mulheres”, e “a mais nobre
descendente de Pélias”. Platão vai além, quando assevera que os próprios
deuses consideraram tão belo o auto-sacrifício de Alceste, que lhe
concederam o privilégio excepcional de retornar da sepultura à vida. “Os
numes honraram nela a virtude máxima do amor”, — conclui o filósofo.
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