Ao decidir estudar, a partir
da crença dos gregos em seus mitos, a pluralidade das modalidades de crença – a
crença no que os outros dizem, a crença por experiência própria –, Paul Veyne
concluiu que, em vez de falar de crenças, deveria falar de verdades, elas
próprias imaginações. “Nós não fazemos uma ideia errada das coisas: a verdade
das coisas é que, através dos séculos, foi constituída de maneira peculiar”,
escreve. Longe de ser a mais simples experiência realista, a verdade, diz o autor,
é a experiência mais histórica de todas. Ele explica que as verdades
relacionam-se a contextos culturais, e podem ser questionadas em outras esferas
de cultura, diferentes. O olhar contemporâneo sobre o passado ilustra
essa visão, pois costuma classificar a quase totalidade das produções
anteriores como delírio e considerar como verdade, e muito provisoriamente, somente
o que constitui o “último estado da ciência”. Veyne explica que seu interesse
sobre verdades, justamente a partir da crença, não tem intenção de afirmar que
a imaginação anuncia as futuras verdades e deveria estar no poder. E, sim, que
as verdades já são imaginações “ e a imaginação está no poder desde sempre;
ela, e não a realidade, a razão ou o longo trabalho do negativo.
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