A fundação da norma vista como a proibição do incesto, por Lévi-Strauss,
revela uma norma inflexível, fonte de todo limite, portanto, de todas
as leis. Segundo o autor, foi o primeiro Não que o homem opôs à
natureza. Esse tabu, embora pareça não ter justificação biológica, nem
razão de ser, é a raiz de toda proibição, constitui-se ao mesmo tempo na
norma, no fato e no valor. Esse Não contém um Sim: a proibição não apenas separa a
sexualidade animal da sexualidade social, mas, como na linguagem, esse
Sim funda o homem, constitui a sociedade. Para Lévi-Strauss, estamos
diante de uma operação inconsciente do espírito humano que, em si mesma,
carece de sentido ou de fundamento, mas não de utilidade: graças a ela,
à linguagem, ao trabalho e ao mito os homens são homens.
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