As pesquisas dos últimos vinte anos aceleraram a discussão em torno
da formação de leitores, que deixou a órbita da mera alfabetização – em
crise efetiva e generalizada que compromete toda a escolarização dos
jovens – para se constituir uma área de estudos relevante, complexa no
sentido proposto por Morin, além de efetivamente interdisciplinar. Seus
efeitos se prolongam muito além da vida escolar e repercutem com impacto
sobre a sociedade em perspectiva renovada de cidadania na qualificação
da vida pessoal, no horizonte da criatividade, no campo do trabalho. Sem leitura como uma experiência constitutiva da (inter)
subjetividade, diante da avassaladora quantidade de informação nivelada
acriticamente, fragmentária, desvinculada muitas vezes do contexto em
que precisa funcionar, o indivíduo se torna presa fácil das contradições
que o aprisionam tanto nas afetividades epidérmicas quanto na ausência
de reflexão para o discernimento.
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