Amerigo Ormea, militante do Partido Comunista, supervisiona o
processo de votação no Cottolengo, um hospício de Turim. Em meio a
eleitores tão incomuns quanto anões, coxos, cegos e deficientes mentais,
ele se pergunta o que faz dele um cidadão responsável e um eleitor
consciente – e não um louco. Amerigo passa a se questionar sobre a razão do comunismo, sobre a
natureza do amor e sobre a validade da crença religiosa. Não seria o
comunismo também uma espécie de religião? Até que ponto é mesmo
democrático obrigar todos a votar? O que determina a normalidade de um
cidadão? A visão terrível da situação dos pacientes – como a de uma mulher sem
pernas que se arrasta num banquinho ou a de uma freira deitada numa
maca, com a expressão de quem “se afoga no fundo de um poço” – suscita
ao escrutinador reflexões existenciais. Uma cena subitamente se revela
como a encarnação do amor: um pai alimenta com amêndoas o filho
deficiente. Amerigo conclui: “o humano chega aonde chega o amor; não tem
fronteiras a não ser as que lhe damos”.
Baixe o arquivo no formato epub aqui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário