A década de 1960 ficou assinalada pelo incremento dos estudos sobre o
negro brasileiro. Durante muitos anos, analisada em um ou outro livro ou
artigo esporádico, a participação do descendente de africano no Brasil
começou a ser reavaliada (segundo alguns de maneira um tanto idealizada)
por Gilberto Freyre, em Casa-grande & senzala (1933). Nos
anos seguintes, os estudiosos assumiram posições mais realistas, pondo
de lado velhos chavões como a inexistência de preconceito racial no
país. Buscaram-se enfoques inéditos de abordagem do problema,
analisaram-se aspectos ainda não avaliados, sempre amparados em pesquisa
de campo e levantamento minucioso de dados. O negro no mundo dos brancos,
do professor Florestan Fernandes, reflete essas tendências através de
seus quatorze ensaios, centrados na preocupação com a supremacia da
"raça branca" e o controle do poder que ela exerce em nossa sociedade,
fazendo do Brasil um mundo social modelado pelo branco e para o branco.
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