O trabalho que ora se publica trará, certamente, contribuição de grande valor à fortuna crítica da obra de Milton Hatoum, em geral, e de Órfãos do Eldorado , em particular. Para mim, é imensa satisfação escrever algumas linhas para apresentar uma pesquisa que, fruto da dissertação de mestrado intitulada Mito, história e memória em “Órfãos do Eldorado”, de Milton Hatoum, realizada por Vivian de Assis Lemos, junto ao Programa de Pós-Graduação em Letras da UNESP/São José do Rio Preto, mostra-se vigorosa e potencialmente crítica. Vivian Lemos afasta-se do discurso do autor sobre sua própria obra, sem deixar de considerá-lo; ao mesmo tempo, distanciando-se da fortuna crítica hatoumiana, para, a partir dela, construir seu discurso crítico, apresenta em sua pesquisa resultados muito interessantes para a reflexão acerca de três aspectos cruciais na construção da novela analisada – o amálgama entre história, mito e memória – submetidos a uma escrita que, pela articulação dessas três instâncias, mas norteada, fundamentamente, pelo tom memorialístico, configura-se extremamente interessante, mas resistente a análises parciais que não considerem o alcance do entrelaçamento desses aspectos na constituição da obra como um todo.
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