Traçar a identidade do microempreendedor da área têxtil da
cidade paulista de Franca, analisando as suas especificidades, seu
caráter inovador e os reflexos de suas atividades no espaço coletivo é o
desafio a que se propôs o pesquisador Mateus Beordo. Ele mostra nesta obra que o ramo de confecções emergiu da crise da
indústria calçadista, tradicional na cidade e atrelada à história de seu
desenvolvimento econômico (Franca firmou-se como importante polo de
calçados a partir dos anos 1930). Desde a década de 1990, no entanto,
com o processo de globalização e a abertura do mercado brasileiro, a
indústria calçadista viu-se em dificuldades diante da concorrência
internacional. Com o conhecimento obtido na produção de calçados, porém, mulheres
passaram a montar microconfecções em suas residências, já que a
atividade exigia baixos investimentos iniciais - em geral, bastava
adquirir uma máquina de costura, tecidos e outros artefatos para a
montagem e modelagem de lingeries. E o que era, a princípio, uma simples
alternativa de renda familiar, foi ganhando vulto: hoje parte da
produção das microempresárias é exportada para Europa, Estados Unidos e
Japão. De acordo com o autor, o estudo permitiu não somente a identificação do
caráter empreendedor das microempresárias da área têxtil de Franca,
como uma reflexão sobre suas condições de vida e trabalho, por meio de
seus problemas concretos, potencialidades e estratégias.
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