“Remexendo, e com alergia ao pó, de dezenas em pastas em frangalhos,
nunca tive tão clara certeza de que criar é literalmente arrancar com
esforço bruto algo informe do Kaos. Confesso que ambos me seduzem, o
Kaos e o in ou disforme. Afinal, como Rita Lee, sempre dediquei um
carinho todo especial pelas mais negras das ovelhas”. Assim Caio termina
a introdução de seu livro Ovelhas Negras, compilado em 1995, com
contos que vão desde 1962 até 1995, um ano antes da morte do escritor.
Segundo Caio, o livro é uma espécie de “(…) autobiografia ficcional, uma
seleta de textos que acabaram ficando de fora de livros individuais.
Alguns, proibidos pela censura militarista; outros, por mim mesmo, que
os condenei por obscenos, cruéis, jovens, herméticos, etc. Eram e são
textos marginais, bastardos, deserdados. Ervas daninhas, talvez(…)”.

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