Promulgado em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
introduziu novas formas de compreensão da infância e da adolescência e
novos modos de atendimento àqueles em situação de risco. Mas, segundo
Adriane Vasti Gonçalves Negrão e Elizabeth Piemonte Constantino, autoras
do livro Acolhimento institucional em tempos de mudança - uma questão
em análise, a efetivação das novas políticas de assistência tem sido
deficiente em vários aspectos, como o que tange à aplicação da medida de
proteção de abrigo em entidades de acolhimento institucional. O trabalho das autoras foi embasado em pesquisa de campo e constatou
que, apesar dos importantes esforços para atender os direitos previstos
legalmente, são notórias as oscilações entre práticas e concepções pré e
pós a promulgação do ECA. Alguns princípios ainda estão ancorados no
mais puro assistencialismo, o qual não pressupõe crianças e adolescentes
como cidadãos de direitos, mas sim como objetos de ações de caridade. São práticas ainda comuns a falta de incentivo ao convívio familiar e
comunitário e os longos períodos de acolhimento institucional como
resultado de decisões que não o justificam, cenário com o potencial de
fragilizar ou impedir ações de caráter emancipatório das crianças e
jovens. O livro sinaliza que existe ainda um longo percurso rumo às
transformações das instituições que atendem crianças e adolescentes em
situações de vulnerabilidade social.
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